‘Excessos’ em alguns setores em Portugal alertam FMI

Relatório do Fundo Monetário Internacional sobre a zona euro foi publicado esta quinta-feira e aconselha Portugal a manter a consolidação orçamental.

Consolidação orçamental, almofadas financeiras e especulação imobiliária são aspetos a reter sobre Portugal no relatório hoje divulgado pelo Fundo Monetário Internacional. Assim, e na opinião da instituição liderada por Christine Lagarde, Portugal deve manter a consolidação orçamental e estar ainda muito atento a possíveis sinais de excessos associados a alguns setores, sobretudo o imobiliário e em diversas regiões do país.

O FMI perspectiva uma acentuação dos riscos globais e, pior que isso, que os mesmos irão coincidir com a saída gradual do Banco Central Europeu do programa de compra dívida, algo que terá um impacto mais acentuado nas designadas economias periféricas.

Relativamente a Portugal, o FMI coloca o país num grupo restrito, com Itália e Espanha e aponta o facto dos mesmos estarem a fazer “ajustamentos pequenos”. Da mesma forma, o Fundo Monetário Internacional ‘aponta o dedo’ à Comissão Europeia, pelo facto de estar a abrandar a vigilância.

Relativamente ao setor imobiliário em Portugal, o FMI coloca Portugal ao mesmo nível da Holanda no que diz respeito aos alertas: existem desequilíbrios entre a oferta e a procura e estes estão a gerar um “disparo na valorização dos preços dos imóveis para habitação e comércio”.

Zona euro: expansão mais moderada

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a expansão da zona euro se mantenha “vigorosa”, mas de forma mais moderada a partir do próximo ano, segundo o relatório hoje divulgado.

O documento hoje divulgado – resultado da reunião do Conselho Executivo do FMI de segunda-feira que reviu o crescimento previsto este ano para a zona euro para 2,2%, duas décimas abaixo do que tinha indicado em abril – estima que em 2019 o crescimento da zona euro abrande para os 1,9%, em 2020 baixe para os 1,7% e em 2021 recue para os 1,5%.

As estimativas do FMI têm em conta principalmente a piores perspetivas para Alemanha, França e Itália.

Os principais ‘motores’ continuam a ser a procura doméstica, suportada por uma criação de emprego “sólida”.

O FMI, que situou as previsões de crescimento económico mundial em 3,9%, tanto para este ano como para o próximo, diz que a inflação na zona euro deve demorar “alguns anos” a convergir com o objetivo do Banco Central Europeu de 2%, mas deve ficar perto deste valor.

O desemprego deverá fixar-se nos 8,4% este ano, baixar para os 8% em 2019, 7,8% em 2020 e 7,6% em 2021.

O FMI considera que os atuais atritos comerciais dos Estados Unidos com vários parceiros comerciais, como a UE, são “a maior ameaça a curto prazo para o crescimento mundial”, já que “terão efeitos adversos na confiança, nos preços dos ativos e no investimento”.

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