Fábrica que Queiroz Pereira vendeu nos EUA está avaliada em 109 milhões

O investimento efetuado pelo grupo português nesta unidade produtora de ‘pellets’, designada Colombo Energy Inc., foi avaliado em 81,6 milhões de euros, mas não foi revelado o valor desta transação.

779 milhões de euros

A fábrica de ‘pellets’ da The Navigator Company nos Estados Unidos que o empresário Pedro Queiroz Pereira decidiu vender ao grupo norte-americano Enviva foi avaliada por 109 milhões de euros no final do ano.

A informação consta do relatório e contas anual da The Navigator Company (ex-Portucel) referente ao exercício de 2016.

O investimento efetuado pelo grupo português nesta unidade produtora de ‘pellets’, designada Colombo Energy Inc., foi avaliado em 81,6 milhões de euros.

No comunicado enviado pela The Navigator Company à CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários na noite da passada sexta-feira, último dia útil de 2017, não foi revelado qualquer valor sobre a transação em causa.

“A Navigator celebrou um contrato de compra e venda do seu negócio de ‘pellets’, nos Estados Unidos com uma ‘joint venture’ gerida e explorada por uma entidade associada da Enviva Holdings, LP”, refere o citado comunicado.

“A concretização da venda encontra-se sujeita à verificação de determinadas condições precedentes e autorizações regulatórias, habituais neste tipo de transações, esperando-se que o processo esteja concluído no decorrer do primeiro semestre de 2018”, acrecenta o comunicado.

O mesmo documento adianta que, “em Dezembro de 2014, a Navigator informou o mercado da decisão de investir numa fábrica de ‘pellets’ nos Estados Unidos, em Greenwood, na Carolina do Sul, com capacidade de produção de 500 mil toneladas por ano, tendo esta ficado concluída no segundo semestre de 2016”.

“Este investimento, que constituiu uma oportunidade de crescimento na área da bioenergia, permitiu desenvolver e diversificar a base de activos industriais da Navigator”, destacam os responsáveis da The Navigator Company.

O mesmo comunicado sublinha que,  “face a uma oportunidade financeiramente atrativa de desinvestimento, a Navigator decidiu vender o negócio das ‘pellets’ e ativos relacionados, libertando assim capital”, sem, no entanto, revelar os montantes envolvidos na transação .

“Os últimos três anos constituíram um período de grande aprendizagem, durante o qual o grupo projetou e construiu uma fábrica de dimensão mundial e adquiriu uma valiosa experiência de gestão de pessoas e bens nos Estados Unidos”, conclui o comunicado da The Navigator Company.

A Enviva, empresa cotada na bolsa norte-americana, reclama a liderança mundial na produção de ‘pellets’, com seis unidades industriais no sudeste dos Estados Unidos, nos estados de Virgínia, Carolina do Norte, Mississipi e Florida.

Com uma capacidade de produção de seis milhões de toneladas métricas de ‘pellets’, a Enviva reclama uma quota de mercado mundial neste segmento na ordem dos 14%.

Quando foi idealizada pela The Navigator Company, esta unidade fabril que agora vai ser vendida à Enviva, localizada em Greenwood, Carolina do Sul, previa exportar 40% da sua produção para o continente europeu e vender entre 15% e 20% no mercado norte-americano.

A vertente das exportações também deverá ser uma aposta da Enviva.

Segundo um documento do grupo norte-americano consultado pelo Jornal Económico, as previsões de aumento da procura de ‘pellets’ no mercado europeu apontam para um patamar de 19,2 milhões de toneladas em 2021, o que significa um aumento anual de 13%.

O mesmo documento aponta para previsões de crescimento da procura de ‘pellets’ no mercado asiático até 2021 para mais de 10 milhões de toneladas, uma subida anual na casa dos 35%.

Nos primeiros três trimestres deste ano, a Enviva obteve receitas líquidas de cerca de 318 milhões de euros ao câmbio atual, tendo alcançado lucros de cerca de 10,7 milhões de euros.

Com esta venda, a The Navigator Company abandona não só a presença industrial nos Estados Unidos, mas também no setor de produção de ‘pellets’.

 

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