Falta madeira, metal, cimento e gás natural. Crise da Venezuela atingiu a indústria funerária

Famílias obrigadas a esperar 10 dias para cremação de entes queridos. Inflação nos preços do gás natural acelerou: “O custo da cremação aumentou em 108% em apenas uma semana”.

A decadência da indústria de petróleo da Venezuela sobrecarregou os cidadãos durante meses com longas filas de espera para terem acesso à gasolina e gás de cozinha. A escassez tem sido tanta que atingiu os crematórios.

Os venezuelanos optaram pelas cremações pois custam cerca de um terço dos enterros, mas a crescente procura tem levado os crematórios a lutar para obter gás natural. Existem relatos de famílias venezuelanas, em entrevistas à agência ”Reuters”, que indicam que são forçadas a esperar até 10 dias.

“O custo da cremação aumentou em 108% em apenas uma semana”, disse Ana Hernandez, 36 anos, em declarações à agência que está a planear uma cremação da sua irmã num cemitério na cidade de Barquisimeto.

Até agora, túmulos comuns foram usados ​​principalmente em Zulia, onde os ‘apagões’ e a escassez de gás tendem a ser mais extremos. Mas os serviços em decadência em outros estados podem propagar esta prática.

A escassez de madeira e metal para caixões e cimento para sepulturas complicou os enterros tradicionais. Algumas famílias esperam que os crematórios obtenham gás propano como alternativa. Mas a espera também aumenta os custos, com inflação anual próxima de 1 milhão por cento, segundo a agência.

A escassez de remédios, alimentos e produtos básicos tem sido constante desde o colapso dos preços do petróleo em 2014 que prejudicou a economia socialista da Venezuela. Cerca de 3 milhões de pessoas emigraram desde 2015, segundo as Nações Unidas.

O presidente Nicolas Maduro culpa uma “guerra económica” liderada por adversários políticos com a ajuda de Washington.

Ler mais
Recomendadas

Arábia Saudita e Emirados “preocupados” com eventual subida dos ‘stocks’ de petróleo

“Nenhum de nós quer ver os stocks novamente a aumentar, temos de ser cautelosos”, disse o ministro da Economia da Arábia Saudita, referindo-se à situação no final de 2018 que levou a uma quebra acentuada do preço do “ouro negro” no mercado internacional.

Europeias: Timmermans diz que socialistas nunca irão aliar-se à extrema-direita

O candidato dos socialistas europeus também defendeu a “redução da diferença salarial entre mulheres e homens, atualmente na ordem dos 16%”, bem como o estabelecimento “de salários mínimos” para toda a UE, que seriam fixados em 60% do salário médio verificado em cada Estado-membro.

Candidato conservador à presidência da Comissão Europeia defende medidas migratórias mais duras

Weber, que deseja suceder a Jean-Claude Juncker na liderança do executivo comunitário, enalteceu a diversidade do continente europeu, salientando, porém, que existe um aspeto que é comum na Europa: “É baseada no cristianismo e orgulhamo-nos disso”.
Comentários