Fed: “não estamos sequer a pensar subir as taxas de juro”

O presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, não disse quando — nem o que seria necessário acontecer — poderá voltar a alterar as taxas de juro. E antecipou que a retoma da economia, nomeadamente do emprego, vai demorar muito tempo.

O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Jerome Powell, vincou esta quarta-feira que o banco central não está “sequer a pensar subir as taxas de juro”, frisando que “a política monetária é boa”.

Jay Powell falava durante a conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio da decisão sobre política monetária do Federal Open Market Committee (FOMC), o órgão do banco central com competências para a qual, que decidiu manter a federal funds rate inalterada, no intervalo de entre 0% e 0,25%.

O presidente da Fed disse que o FOMC “está preparado para ajustar a política monetária consoante o que for apropriado para alcançar os objetivos”, que incluem um duplo mandato de estabilização dos preços e do pleno emprego.

A Fed tem executado diversos programas de estímulo económico, nomeadamente programas destinados a promover a concessão de crédito. “Vamos continuar a usar [estes] poderes até estarmos confiantes de que estamos no caminho da recuperação e, esta semana, prolongámos estes programas até ao final do ano”, adiantou Jerome Powell. “Quando a crise passar, vamos voltar a colocar estes instrumentos de emergência dentro da caixa de ferramentas”.

Jerome Powell não disse quando, nem o que o poderia levar o FOMC a alterar as taxas de juro diretora. “Temos monitorizado a situação com cuidado. Desde muito cedo, agimos de forma rápida e agressiva. Olhámos para as formas de ajustar a nossa política à medida que o tempo passa, e estamos apropriados para o fazer quando considerarmos que é apropriado”, disse Jerome Powell.

“Não estamos sequer a pensar em subir as taxas de juro. Estamos totalmente focados em dar o apoio necessário à economia e acreditamos que vai necessitar de uma elevada política monetária acomodatícia”, reforçou o presidente da Fed.

Economia vai demorar tempo até recuperar para os níveis pré-coronavírus

Os últimos meses deram sinais positivos sobre uma ligeira melhoria da economia, à medida que foi a atividade foi retomada. No entanto, Jerome Powell antecipa que a recuperação económica — e do emprego — vai demorar tempo até voltar aos níveis anteriores ao choque pandémico.

“Nos últimos meses, muitas empresas reabriram as portas, as fábricas retomaram a produção. Em resultado, o consumo das famílias parece ter retomado cerca de metade do que perdeu, ainda que o consumo nos serviços, como o transporte aéreo e a hotelaria, tenha dado sinais de menor recuperação. A recuperação do consumo das famílias também se deveu às medidas de estímulo, como os benefícios para os desempregados. Mas, em contraste, o investimento das empresas ainda não recuperou, mesmo durante a melhoria da economia em maio e junho, e a atividade, no geral, permanece muito abaixo dos seus níveis anteriores à pandemia. A contração real do PIB no segundo trimestre será provavelmente a maior de sempre”, alertou Powell.

Consequentemente, o presidente da Fed não antecipa uma recuperação total da economia “até que as pessoas tenham confiança de que é seguro” retomar diversas atividades. “O caminho de agora em diante depende também das políticas tomadas por todos os níveis do governo para aliviar e apoiar a recuperação durante o tempo que for necessário”.

Neste contexto, Jay Powell adiantou ainda que será necessário “estímulos orçamentais adicionais”, nomeadamente por causa da pressão sobre o emprego. “Passámos dos menores níveis de desemprego em 50 anos para os maiores níveis de desemprego em 90 anos no espaço de dois meses. A política orçamental é da competência do Congresso mas, mesmo que a recuperação corra bem, vai demorar muito tempo para que as pessoas voltem a trabalhar. Não posso dizer qual será o nível do estímulo orçamental, mas estas pessoas vão precisar de apoio para pagar as suas contas e continuar a consumir. Por isso, creio que há necessidade de estímulo orçamental”, concluiu.

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