Fernando Rosas e as ‘fogueiras’ da inquisição política e social

Proponho um exercício: imaginemos que o comentário “o CDS até tem um dirigente gay! Ai que moderno que ele é!” não tinha sido proferido por Fernando Rosas.

Imaginemos que teria sido um vómito saído da boca de um dirigente do CDS sobre um, ou uma, homossexual que se tivesse assumido no Bloco de Esquerda, partido ativíssimo nestas questões.

Fosse esse o caso, e tenho a certeza que iria para aí uma maior, e justa, indignação. Provavelmente, esse ‘fascista’ estaria já a ser assado nas fogueiras das redes sociais. As, e os, militantes das causas fraturantes, que ficaram mudas, e mudos, que nem ratas, e ratos, por Fernando Rosas ser ‘de esquerda’, não teriam, como normalmente não têm, limites para a indignação. Para o insulto. Para a estigmatização.

Na política portuguesa estamos a viver um época estranha. As pessoas que se dizem de esquerda podem pronunciar-se livremente, dizer quase tudo – e, ao contrário, quem se afirma de direita é escrutinado até por respirar. Não me parece normal, nem justo.

Nota final: tenho respeito intelectual pelo cidadão e historiador Fernando Rosas. Gosto, normalmente, de o ouvir, descontando, é claro, as diferenças de opinião que mantenho com a corrente de pensamento que ele defende. Este apontamento tem mais a ver com o ambiente político em que vivemos do que com aquilo que ele disse – e que, para mim, é irrelevante e folclórico.

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