Fernão de Magalhães: Maior legado foi provar que a Terra é circum-navegável, diz historiador

O historiador Luís Filipe Thomaz considera que o maior legado do navegador português Fernão de Magalhães foi provar que a Terra é circum-navegável e o oceano Pacífico navegável.

Chuttersnap on Unsplash

Em entrevista à agência Lusa, a propósito dos 500 anos da primeira viagem de circum-navegação do planeta, realizada por Magalhães e Elcano entre 1519 e 1522, Luís Filipe Thomaz disse que o navegador quinhentista “demonstrou pela prática que a Terra era circum-navegável”, ao verificar a comunicabilidade entre os oceanos Pacífico e Atlântico, provando que é o mar que circunda os continentes e não o contrário.

“Já se sabia que [a Terra] era redonda, foi Pitágoras [filósofo da Antiguidade Grega] que afirmou que a Terra era redonda, sabia-se há uns dois mil anos”, referiu o autor de “O drama de Magalhães e a volta ao mundo sem querer”, acrescentando que “o consenso” sobre o paradigma da Terra esférica “era tamanho” no século XVI.

Segundo o historiador, o que “não era um ponto adquirido” na época era “a circum-navegabilidade do globo”.

Até que Fernão de Magalhães descobriu o estreito que tem o seu nome, uma passagem de aproximadamente 600 quilómetros que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, entre a ponta continental da América do Sul e a ilha da Terra do Fogo.

“Provou na prática que o globo era circum-navegável e que o Pacífico era navegável”, sublinhou Luís Filipe Thomaz.

A comprovação foi feita numa travessia realizada à primeira tentativa por águas nunca antes navegadas, tendo Fernão de Magalhães intuído que “o regime de ventos do Pacífico era idêntico ao do Atlântico”, permitindo-lhe escolher a rota certa para atravessar o Pacífico.

Uma “intuição genial” que o navegador espanhol Juan Sebastián Elcano, que concluiu a expedição atravessando o Índico para sul e o Atlântico para norte até chegar de volta a Espanha, não teve, de acordo com Luís Filipe Thomaz.

O historiador, especialista em estudos orientais, entende que Portugal “fez justiça” a Magalhães, apesar da traição que significava transmitir a Castela (Espanha) “segredos náuticos que eram dos portugueses”, e não o facto de o navegador português estar ao serviço do rei castelhano Carlos I (também conhecido por Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico).

Para Luís Filipe Thomaz, Magalhães foi devidamente honrado no país e “há todas as razões” para Portugal e Espanha “comemorarem a meias” os 500 anos da primeira viagem de circum-navegação da Terra.

Fernão de Magalhães, natural do Porto, conforme “está escrito” nos contratos que celebrou com Carlos I e no seu testamento, segundo Luís Filipe Thomaz, organizou a viagem, que era para ser até às ilhas Molucas (Indonésia), indo por Ocidente, às quais não chegou, ao morrer, em 1521, nas Filipinas.

Juan Sebastián Elcano, basco, terminou a viagem, por acaso, em desespero de causa e contra as ordens do rei de Castela, navegando por outros mares para evitar as vicissitudes de um regresso pelo mesmo caminho marítimo, atravessando o Pacífico, com uma tripulação pouca numerosa.

Ler mais
Relacionadas

Fernão de Magalhães: Municípios preferem destacar feitos e relativizam local de nascimento

Os municípios de Sabrosa, Vila Real e Ponte da Barca, Viana do Castelo, dados como prováveis locais de nascimento de Fernão de Magalhães, no século XV, preferem destacar os feitos do navegador ao invés da sua origem.

Fernão de Magalhães: Espanha diz que primeira volta ao mundo é “exclusivamente espanhola”

500 anos depois, a primeira volta ao mundo em navegação continua a levantar polémica. Jornal espanhol ABC acusa Portugal de produzir “mentiras para apropiar-se da viagem” de Fernão de Magalhães.
Recomendadas

Marques Mendes diz que Luanda Papers é tsunami para Isabel dos Santos

O comentador da SIC diz que em Angola a solução é negociar, e que em Portugal existe uma questão sensível que é o Eurobic. Sobre a eleição de Rui Rio, Marques Mendes diz que teve uma “vitória clara”.

Leia aqui os documentos do Luanda Leaks

Os Luanda Leaks têm 715 mil documentos, entre e-mails, contratos, auditorias, e contas que foram obtidas por uma plataforma de denunciantes em África (PPLAAF), que depois foi partilhada com a ICIJ. Veja aqui os documentos que foram revelados este domingo.

Isabel dos Santos diz que Luanda Leaks é baseado em documentos falsos e coordenado por governo de Angola

O Luanda Leaks revelou 715 mil documentos, de um consórcio de jornalistas de investigação, que mostram como Isabel dos Santos construiu a sua fortuna à custa do Estado de Angola.
Comentários