Finanças identificam investimento como principal fator de crescimento da economia

No Programa de Estabilidade, apresentado esta sexta-feira, prevê-se que o passo de evolução da formação bruta de capital fixo desacelere em 2,9 pontos percentuais este ano, face a 2017, para 6,2%, ainda assim uma taxa de crescimento que quase triplica o ritmo de expansão antecipado para o PIB, de 2,3%.

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O Governo prevê que o investimento seja o principal motor do crescimento da economia portuguesa até 2022, expandindo-se a uma taxa que triplica, na maioria dos anos, o ritmo de crescimento do produto interno bruto (PIB).

No Programa de Estabilidade, apresentado esta sexta-feira, prevê-se que o passo de evolução da formação bruta de capital fixo (FBCF) desacelere em 2,9 pontos percentuais este ano, face a 2017, para 6,2%, ainda assim uma taxa de crescimento que quase triplica o ritmo de expansão antecipado para o PIB, de 2,3%.

O deste ano é, também, o passo mais lento até 2022, quando a FBCF cresceu 5,5%, com o PIB a expandir-se 2,1%.

O investimento apresenta-se, assim, como a mais dinâmica componente da procura interna, que, por sua vez, sustenta o crescimento económico, já que o contributo da procura externa líquida é sempre negativo, no período em consideração.

Diz o Ministério das Finanças que “a transformação estrutural da economia [portuguesa]” encontrará “expressão no dinamismo das exportações, que deverão registar um aumento de 6,3% em 2018, bem como do investimento, que deverá crescer 6,2%”.

Acrescenta que a aceleração até 2020 (altura em que deverá crescer 7,1%), reflete, “por um lado, a entrada dos fundos estruturais associados ao programa Portugal 2020 e, por outro lado, um maior investimento na expansão da capacidade produtiva da economia”.

“Estima-se que o investimento público prossiga em 2018 a atual tendência de crescimento com um aumento nominal de 32%, incluindo um melhor e mais eficiente aproveitamento dos fundos europeus através do Portugal 2020. Num horizonte a médio prazo – num ciclo iniciado já em 2017 e que se prolongará até 2024 – destacam-se os investimentos públicos em infraestruturas que apoiarão a competitividade da economia nacional, em particular na ferrovia (886 milhões de euros) e nos portos (192 milhões de euros), bem como na coesão social e no reforço do capital humano, através de um aumento do investimento na saúde (792 milhões de euros) e na educação (267 milhões de euros)”, acrescenta.

As previsões constantes no Programa de Estabilidade para a evolução do investimento são mais otimistas do que as apresentadas por organizações internacionais – Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e Comissão Europeia – e, também, por entidades nacionais – Conselho das Finanças Públicas (CFP) e Banco de Portugal (BdP).

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Estes valores são identificados como “medidas temporárias, one-off e unusual events”, que foram “previamente” analisados e discutidos com a Comissão Europeia.
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