Fitch: “A dinâmica dos ‘ratings’ soberanos da Europa Ocidental é positiva”

A agência de notação financeira fez seis ‘upgrades’ nos últimos seis meses, incluindo a Portugal e sublinha o bom momento. No entanto, A Fitch considera difícil de prever se a atual dinâmica é sustentada sem maiores reduções nos custos das dívidas ao longo do tempo.

Reinhard Krause/Reuters
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A agência de notação fiannceira Fitch realizou seis upgrades no rating de países da Europa Ocidental nos últimos seis meses e nenhum downgrade. Num relatório publicado esta terça-feira, a agência de notação financeira considera que há, atualmente, uma dinâmica positiva na região, destacando o grupo em que se inclui Portugal, cujo rating passou para grau de investimento em dezembro do ano passado.

“As dinâmicas da dívida pública, o outlook macroeconómico e a política continuam a ser os três principais motores dos ratings soberanos da Europa Ocidental”, refere o relatório. “A interação entre o forte crescimento e a melhoria das finanças públicas sustenta o momentum de rating de curto prazo positivo, mas a redução da dívida é um desafio de longo prazo e pode ser dificultado por desenvolvimentos políticos”, acrescenta.

Desde outubro de 2017, a Fitch subiu a notação de Portugal, Chipre, Grécia, Islândia e Irlanda e passou a perspetiva de Andorra, Chipre e Grécia para positiva, o que indica que poderá fazer um upgrade dentro de um a dois anos.

“As melhorias no cenário macroeconómico na Europa Ocidental sustentam as finanças públicas. As recentes atualizações do rating soberano refletem uma combinação de redução do défice orçamental global e algumas melhorias nos saldos estruturais que, na nossa opinião, apoiarão uma diminuição nas dívidas soberanas e uma melhora acentuada nas métricas externas”, afirmou a agência, que reviu em alta as projeções de crescimento da zona do euro para 2,5% e 1,8%, em 2018 e 2019, respetivamente, no mês passado.

O Reino Unido mantém-se como único país da Europa Ocidental com outlook negativo, o que reflete a incerteza e os riscos relacionados com a decisão de abandonar a União Europeia.

A Fitch acrescenta que é, no entanto, difícil de prever se a atual dinâmica ascendente do rating é sustentada sem maiores reduções nos custos das dívidas ao longo do tempo.

“O crescimento mais lento do PIB e taxas de juros mais altas representarão um desafio para a dinâmica das dívidas dos países com elevado endividamento. Além de 2018, novos esforços fiscais podem ser necessários nesses países para colocar a dívida em uma firme trajetória de queda. A implementação de políticas fiscais mais rigorosas pode ser difícil, dado o declínio do apoio político ao aperto fiscal e às reformas estruturais em toda a Europa Ocidental”, acrescentou.

Em dezembro, a Fitch não só tirou Portugal do nível ‘lixo’, como passou a ser a agência de notação financeira que atribui melhor classificação a Portugal. A Fitch mudou a avaliação da República, em dois escalões, para BBB com outlook estável, justificando com a expetativa que o rácio da dívida diminua três pontos percentuais este ano, para menos de 127% do PIB.

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