Fitch diz que deterioração da qualidade da carteira de crédito começa a notar-se nos resultados do segundo trimestre

A Fitch aponta para o risco de mais imparidades para crédito à medida que as moratórias  que restam expirem este ano, principalmente em países que fizeram mais uso da moratória, como a Grécia, a Irlanda, Itália e Portugal.

Reinhard Krause/Reuters

Os resultados do 2º trimestre de 2021 dos bancos ocidentais da União Europeia começarão a revelar a verdadeira extensão da deterioração da qualidade dos ativos devido à pandemia, defende a Fitch Ratings num novo relatório.

“Até agora, o impacto foi mascarado pela moratória de crédito, mas uma imagem mais clara deve começar a surgir agora que a maioria das moratórias já expirou”, diz a Fitch referindo-se à maioria dos bancos europeus. Portugal ainda tem as moratórias vivas até setembro.

No entanto a Fitch espera que as imparidades para crédito em moratória caiam para dentro do intervalo das estimativas base comunicadas no Outlook  de 2021 para os bancos da Europa Ocidental.

As moratórias que ainda estão pendentes nas principais economias ocidentais da UE representavam apenas 3,5% dos empréstimos a famílias e empresas não financeiras no final de 2020, abaixo dos 6% no final do 3º trimestre de 2020 e bem abaixo do pico de 9%.

“As moratórias permanecem significativas em Itália e Portugal, onde devem vigorar até junho e até setembro de 2021, respectivamente, e outras extensões estão a ser discutidas”, diz a Fitch.

A percentagem de crédito que ainda está em moratória que foi classificada como Stage 2 (risco de incumprimento) era de 27% no final de 2020, acima dos 19%  dos empréstimos que estavam anteriormente sob moratória e dos 9% do total de empréstimos. “Isso aponta para o risco de mais imparidades para crédito à medida que as moratórias  que restam expirem este ano, principalmente em países que fizeram mais uso da moratória, como a Grécia, a Irlanda, Itália e Portugal”, diz a Fitch.

A moratória de crédito permitiu que os clientes suspendessem os pagamentos da dívida sem as consequências usuais para a qualidade dos ativos bancários.

Os supervisores da UE concederam aos bancos uma  tolerância temporária quanto às regras de qualidade de ativos, quanto aos requisitos de capital e de regras de imparidades, desde que as moratórias sejam aplicadas ao sistema e não a créditos específicos, e que as taxas de juros e outras condições dos empréstimos fiquem inalteradas e nenhuma exposição seja perdoada. Isto é, desde que não haja reestruturações dos créditos.

Os bancos ainda precisam de identificar os casos em que os devedores podem enfrentar dificuldades financeiras de longo prazo e classificar os créditos diferenciado os clientes que têm uma escassez de liquidez temporária, de curto prazo, daqueles clientes que enfrentam dificuldades estruturais.

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