Fitch mantém notação da dívida portuguesa em ‘BBB’, mas deixa recomendações para a segunda metade do ano

A Fitch havia já em abril deixado alguns avisos à economia nacional, apesar de ter sinalizado que deveria manter a avaliação à dívida soberana nesta avaliação programada perante o potencial para crescimento nos dois últimos trimestres de 2021.

Reinhard Krause/Reuters

A Fitch optou por manter inalterada a notação que atribui à dívida soberana nacional, que permanece assim no nível ‘BBB’, bem como as perspetivas económicas para o país, que são vistas como ‘estáveis’. Numa avaliação marcada para esta sexta-feira, a agência financeira não deixou de tecer algumas considerações sobre o caso português, apesar da manutenção do cenário afirmado no passado mês de novembro.

A instituição sediada em Nova Iorque havia já sinalizado em abril que via a situação económica em Portugal como estável, não deixando na altura de destacar alguns aspetos que poderiam influenciar a prestação nacional. Agora, na avaliação programada para esta sexta-feira, a agência reafirmou alguns dos avisos deixados há menos de um mês.

A decisão de manter a dívida portuguesa dois níveis acima do lixo especulativo é justificada com os bons indicadores da economia nacional, que contrastam com um nível de endividamento elevado e finanças externas fracas, explica a Fitch.

A Fitch sublinha o impacto do confinamento geral do primeiro trimestre no produto português, sobretudo dada a exposição da economia nacional ao turismo. De resto, a retoma a níveis pré-pandémicos do sector no plano internacional deverá ocorrer apenas em 2023, refere a nota, pelo que é expectável um aumento do desemprego este ano, estimando a agência uma subida até aos 7,3%.

O crescimento do PIB nacional será também estimulado pelo Plano de Recuperação e Resiliência desenhado pela Comissão Europeia, mas a análise da Fitch destaca o historial fraco do país na execução de investimento, chamando atenção para a segunda taxa mais baixas na União Europeia no que respeita a esta componente nos últimos cinco anos, sendo que a referente a investimento público é mesmo a pior no bloco europeu.

A agência lembra ainda que Portugal apresenta o maior recurso a moratórias de crédito entre as economias da zona euro, o que coloca a banca nacional em risco de deterioração dos seus ativos nos próximos 12 a 18 meses.

Dados os riscos negativos associados à exposição portuguesa ao turismo internacional, cuja recuperação é ainda incerta, e o aumento dos passivos contingentes do Estado decorrentes do apoio ao Novo Banco e à TAP, a instituição financeira via em abril as finanças públicas com potencial para sofrerem uma deterioração considerável nos próximos trimestres. Por outro lado, o potencial para crescimento, especialmente depois da variação do produto registada em 2020, permitia algum otimismo para 2021.

A Fitch foi a última das quatro agências de notação financeira a pronunciar-se sobre a dívida portuguesa este ano. A atualização anterior havia sido feita pela Moody’s em março, mesmo mês em que a Standard & Poor’s (S&P) tinha já emitido a sua análise, tendo ambas optado por manter os ratings e perspetivas económicas para Portugal. Assim, a Moody’s avalia os títulos nacionais como ‘Baa3’, enquanto que a S&P atribui a classificação de ‘BBB’.

Antes, em fevereiro, a DBRS tinha feito o mesmo, ao manter inalterada a notação portuguesa, que é vista como ‘BBB (alto)’. Todas as agências consideram o cenário económico estável e mantêm os títulos do Tesouro acima do que consideram lixo especulativo.

[notícia atualizada às 22h14]

Recomendadas

Bitcoin volta a cair e vale menos 46% do que o recorde de abril

Alguns analistas apontam para o facto de as autoridades norte-americanas terem conseguido recuperar grande parte do resgate pago pela Colonial Pipeline, em bitcoin, ao Dark Side, o grupo de piratas informáticos que atacou o software que gere o oleoduto da empresa, segundo a “Bloomberg”.

PremiumBolsas europeias renovaram máximos históricos

A última quinzena de maio e o início de junho trouxeram renovação de máximos na Europa, mas em Wall Street já se começa a ver a lateralização.

Wall Street fecha semana no ‘verde’ com recorde do S&P 500

As tecnológicas destacaram-se nesta sessão. Já a Tesla deslizou 0,07% para 609,71 dólares pouco depois de ter revelado o seu novo modelo S Plaid, uma versão de ponta do sedan desportivo.
Comentários