FMI: guerra comercial é principal risco para crescimento económico global

A instituição de Bretton Woods sublinha que o agravamento das tensões comerciais e a imposição de barreiras mais amplas ao comércio transfronteiriço afetariam a atividade económica global e a confiança.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais otimista em relação ao crescimento económico global, mas aponta vários riscos, incluindo o agravamento na guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que pode levar a um conflito global.

No World Economic Outlook, publicado esta terça-feira, a instituição liderada por Christine Lagarde reviu em alta as perspetivas de crescimento. Estima uma expansão do produto interno bruto (PIB) de 3,9% tanto em 2018 como em 2019, impulsionado pela continuação da recuperação do investimento e do comércio global, bem como pelas condições financeiras favoráveis, e após , o crescimento global mais rápido desde 2011, no ano passado (3,8%).

“As economias avançadas crescerão mais rapidamente que o potencial neste ano e no próximo; as economias da área do euro deverão reduzir o excesso de capacidade com o apoio da política monetária acomodatícia, e a política fiscal expansionista levará a economia dos EUA ao pleno emprego”, refere o documento.

“Embora os riscos ascendentes e negativos para as perspetivas de curto prazo sejam, em geral, equilibrados, os riscos para além dos próximos trimestres tendem claramente para o lado negativo. As preocupações do lado negativo incluem um endurecimento possivelmente acentuado das condições financeiras, o declínio do apoio popular à integração económica global, as crescentes tensões comerciais e os riscos de uma mudança em direção a políticas protecionistas e tensões geopolíticas”, explicou.

A instituição de Bretton Woods sublinha que o agravamento das tensões comerciais e a imposição de barreiras mais amplas ao comércio transfronteiriço afetariam diretamente a atividade económica, mas também enfraqueceriam a confiança.

Os riscos estão interligados: se um materializa, pode desencadear os outros, segundo o FMI. Refere, por exemplo, que uma mudança política generalizada para o protecionismo pode aumentar as tensões geopolíticas e a aversão global ao risco, levando a choques não económicos que pesem na atividade económica de curto prazo e na confiança no longo prazo.

A consequente limitação do apetite pelo investimento teria um impacto negativo severo, considerando que haveria menos espaço para reduzir as taxas de juros ou aumentar os gastos públicos que no passado.

 

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