FMI: turbulência externa está a aumentar os riscos para a economia europeia

A estimativas para o crescimento do PIB português e da zona euro ficaram inalteradas, mas a organização liderada por Christine Lagarde alertou no Regional Economic Outlook que os riscos aumentaram, especialmente os externos.

As tensões comerciais, a quebra na procura externa e a subida dos preços da energia são fatores externos que vieram aumentar os riscos para a economia europeia e atenuar o efeito positivo da procura interna, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) esta quinta-feira.

A instituição liderada por Christine Lagarde manteve inalteradas as previsões para Portugal, com uma expansão económica de 2,3% este ano, 1,8% em 2019 e 1,5% em 2020. Para a Europa, continua a prever crescimento de  2,3% este ano e de 1,9% em 2019, enquanto na zona euro a expansão deverá ser de 2% e 1,9%, respetivamente.

No Regional Economic Outlook, o FMI referiu que a atividade económica continuou a crescer no primeiro semestre, embora a um ritmo menor do que esperado. A procura interna, suportada pelo emprego e pelos salário, permanece o principal motor de crescimento, afirmou.

“No entanto, o ambiente externo oferece menos suporte e esperado suavizar mais 2019 devido à desaceleração da procura mundial, às tensões comerciais e ao preços mais elevados da energia. A condições financeiras mais apertadas nas vulneráveis economia de mercados emergentes e a maturação dos ciclos de negócios estão também a pesar na atividade”, explicou.

Adiantou que a atividade deverá ficar acima do potencial na maioria dos países da região, mas alertou que os riscos aumentaram.

“A curto prazo, a escalada das tensões comerciais e um apertar acentuado das condições financeiras globais poderão prejudicar o investimento e pesar no crescimento. No médio prazo, os riscos originam do atraso no ajustamento orçamento e nas reformas estruturais, desafios demográficos, o aumento da desigualdade e a menor confiança nas políticas mainstream,” avisou.

O FMI explicou ainda que um Brexit sem acordo resultará em barreiras adicionais, tanto no comércio como noutras áreas, entre o Reino Unido e o resto da União Europeia, com consequências negativas para o crescimento.

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