França é principal parceiro económico de Portugal

Cerca de 750 empresas e 600 filiais francesas estão presentes no mercado português, números que tendem a crescer devido essencialmente por encontrarem mão-de-obra qualificada e multilinguística.

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O clima político em França está ao rubro com a segunda volta das eleições presidenciais disputadas por Marine Le Pen e Emmanuel Macron. Em Portugal – destino crescente de investimento gaulês –, também se aguarda com expectativa o resultado.

Segundo o Serviço Económico da Embaixada de França, existem em Portugal mais de 600 filiais de empresas francesas, sem contar com PME e comerciantes individuais, predominando a área comercial, os serviços e a indústria. Laurent Marionnet, diretor geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, diz ao Jornal Económico que a França é o principal parceiro económico de Portugal. As filiais francesas ocupam o segundo lugar entre as filiais estrangeiras, tanto em termos de volume de negócio como em número de empresas e pessoas empregadas.

A atratividade de Portugal para as empresas francesas não é um fenómeno recente; algumas já estão presentes no país há mais de 30 anos.

“O país beneficia hoje de vários factores que explicam essa atratividade: um contexto político estável, uma posição geográfica estratégica na Europa, na América e em África, uma mão-de-obra qualificada, infraestruturas eficientes assim como um sistema fiscal e social competitivo”, diz.

Marionnet assegura que as formalidades para a instalação das empresas francesas são simples e as estruturas de acompanhamento, como a AICEP, as autarquias, a CCILF, ou a Business France, facilitam o processo.

Valor e dificuldade
Apesar disso, “as empresas francesas recém-chegadas sentem-se, por vezes, desamparadas quando confrontadas com a complexidade da administração e, por outro lado, o acesso ao financiamento é mais complexo do que em França”.
“As relações com os bancos são diferentes e os sistemas de apoio, quando existem, limitados. Por último, as empresas francesas começam a confrontar-se com limitações no que respeita à escassez de mão-de-obra francófona”, refere.

Mathilde Sucena, advogada Of Counsel da Telles em Direito Comercial e Societário, com especial enfoque no mercado luso-francês, garante que os objetivos das empresas francesas para investir em Portugal são diversos. “Estamos a falar de um universo de 750 empresas que têm tamanhos e projetos variados e que atuam em diversos setores”, diz. No caso das grandes empresas, estas pretendem, essencialmente, encontrar mão-de-obra qualificada e multilinguística com um dos níveis salariais mais baixo da Europa, nomeadamente nos setores automóvel, aeronáutico e de serviços partilhados.

No setor do turismo e do imobiliário, será o fenómeno “moda”, a segurança que Portugal oferece e a fuga dos países do Norte de África que poderão explicar a entrada de empresas francesas, além de uma fiscalidade vantajosa.
“Por fim, o incrível fenómeno e mais complexo, e que continua por decifrar, será o da atratividade de Lisboa para as startups inovadoras e do setor das NTIC”, adianta.

Como constrangimentos, são apontados a certa lentidão na obtenção de licenças (urbanísticas ou para o exercício da atividade), a legislação laboral pouco flexível, prazos de pagamento muito alargados e pouco respeitados, bem como inércia judiciária na resolução de conflitos e na recuperação de créditos.

“Hoje, é verdade que assistimos – e penso que vai continuar nestes próximos anos – a um grande fascínio e investimento dos particulares e das empresas francesas em Portugal, mas não duvido que os laços criados ou reforçados vão favorecer o intercâmbio em dois sentidos. Arriscava até a dizer que, devido aos laços históricos entre os dois povos, está-se hoje a criar uma base sólida, definitivamente enraizada na Europa, para explorar e conquistar o resto do mundo, nomeadamente francófono e lusófono”, esclarece Mathilde Sucena.

Florent Lambert, CEO da Sodexo em Portugal, empresa francesa especializada em cartões de refeição, explica que o mercado português era acompanhado de perto pela empresa e potencial estava identificado, sobretudo num cenário de retoma financeira. “Era um objetivo natural e desejado na consolidação da nossa estratégia de expansão no mercado europeu”, admite.
Lambert diz que Portugal apresenta uma maturidade significativa do ponto de vista da legislação laboral e das relações de trabalho e, simultaneamente, oferece um conjunto de oportunidades de desenvolvimento que interessa explorar. “Encontrámos as circunstâncias ideais para testar novas ideias ao nível dos produtos e serviços bem como das ferramentas e processos, numa lógica de ‘laboratório’, tirando partido da excelência dos recursos humanos que temos à nossa disposição e de uma mentalidade aberta e pró-ativa dos diferentes agentes”, salienta.

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