Galp investe até 350 milhões na energia solar em Espanha

O grupo espanhol conta com mais de 900 megawatts de potência solar fotovoltaica – com vários projetos ainda em fase de construção, devendo estar concluídos até 2023 – com a capacidade de produção destes ativos a atingir os 2,9 gigawatts (GW).

Cristina Bernardo

A Galp vai investir entre 300 a 350 milhões de euros nas energias renováveis em Espanha. A petrolífera portuguesa vai investir entre 300 a 350 milhões de euros para ficar com 75% do capital do grupo ACS. Este valor inclui a aquisição, mas também os custos de desenvolvimento de centrais.

Já o grupo ACS fica com os restantes 25% da empresa, com uma “estrutura governativa de controle conjunto”. O grupo espanhol conta com mais de 900 megawatts de potência solar fotovoltaica – com vários projetos ainda em fase de construção, devendo estar concluídos até 2023 – com a capacidade de produção destes ativos a atingir os 2,9 gigawatts (GW).

A companhia tinha anunciado este negócio em janeiro, mas esta segunda-feira revelou que houve alterações ao acordo com os espanhóis do grupo ACS, que foi alvo de alterações de “maneira a estabelecer novos termos e condições para a transação”.

A petrolífera anunciou hoje este negócio, no dia em que anunciou prejuízos no valor de 22 milhões de euros no primeiro semestre e de 52 milhões de euros no segundo trimestre.

A Galp vai pagar entre 300 a 350 milhões pela compra da participação, mas também pelos custos passados de desenvolvimento das centrais. “Todos os custos adicionais de desenvolvimento e construção relacionados com o portefólio serão assumidos pela joint venture devendo ser project financed”, segundo comunicado da Galp. A construção das centrais vai continuar a cargo da empresa Cobra, afiliada da ACS.

“Este acordo segue a estratégia que implementámos para o nosso negócio de renováveis, de desenvolver um portefólio competitivo através das nossas parcerias, mantendo um papel relevante e de integração nas atividades da Galp”, disse hoje o presidente da Galp numa chamada com analistas.

Carlos Gomes da Silva apontou que a empresa continua avaliada em 2,2 mil milhões de euros, tal como foi anunciado em janeiro.

Já o valor final “está dependente do desenvolvimento de vários projetos na altura da conclusão da operação”, afirmou.

O gestor anunciou que espera que a conclusão esteja completa até ao final do ano, o mais provavelmente no terceiro trimestre deste ano, após a aprovação da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.

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