Geocapital desconhece proposta do empresário espanhol para comprar ações na Caixa Económica

“Nunca falámos com esse potencial interessado”, garante o administrador Diogo Lacerda Machado sobre a venda da participação na Caixa Económica de Cabo Verde ao empresário espanhol Bañuelos de Castro, negócio aprovado pelo banco central cabo-verdiano.

O administrador da Geocapital Diogo Lacerda Machado afirma que a empresa não recebeu qualquer proposta para a venda da participação na Caixa Económica de Cabo Verde ao empresário espanhol Bañuelos de Castro, negócio aprovado pelo Banco de Cabo Verde (BCV).

Questionado sobre as razões que impediram a concretização do negócio, Diogo Lacerda Machado garantiu: “Nunca falámos com esse potencial interessado”. “Sempre deixámos que fosse o governo e a interlocução que tivemos foi sempre só, exclusivamente, com o governo. A propósito das motivações desse potencial investidor que apareceu indicado como tal, não faço ideia”, disse.

O empresário falava aos jornalistas no final da cerimónia da assinatura do contrato de venda dos 27,44% da participação da Geocapital na Caixa Económica de Cabo Verde ao Estado de Cabo Verde, representado pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, que se realizou na cidade da Praia.

Tudo indicava que a saída da estrutura acionista da Geocapital fosse um negócio concluído. Em maio, o BCV que informou que tinha aprovada a aquisição destas mesmas ações (27,44%) pela International Holding Cabo Verde, do empresário espanhol Enrique Bañuelos de Castro, considerando que esta garantia “uma gestão sã e prudente” na Caixa Económica.

Questionado Olavo Correia referiu que “não fala do parceiro espanhol, mas apenas do governo de Cabo Verde”, assim quem foi confrontado pela imprensa com a hipótese de o empresário espanhol não dar estabilidade à Caixa Económica.

Segundo o líder do executivo de Cabo Verde, com a compra, o governo quer dar maior estabilidade acionista a Caixa Económica, que não poderia ficar nem mais um dia num clima de instabilidade diante da decisão da Geocapital de vender a sua participação.

“Há uma intenção de saída do acionista nós não podemos permitir que haja instabilidade acionista. O Estado tem responsabilidade em relação à Caixa Económica, queremos dar estabilidade ao banco para num futuro próximo poderemos recolocar as ações à venda, não é do nosso interesse que o Estado seja acionista adicional quando já tem maioria”, explicou.

“Pela natureza da operação não podemos comunicar o valor agora”

Quanto ao valor da aquisição dos 27,44% desses títulos, nenhuma das partes quis revelar o valor. Diogo Lacerda Machado sugeriu que a pergunta fosse feita ao governo local. Olavo Correia, embora admita que conhece os valores, adiantou que não o poderia divulgar antes de comunicar o negócio ao BCV e de emitir a ordem à Bolsa de Valores porque outros interessados poderiam dar a mesma ordem. “Pela natureza da operação não podemos comunicar o valor agora”, disse.

Depois de 10 anos como acionista na Caixa Económica, a Geocapital considera que foi um bom negócio e que ficou mais tempo do que estava previsto em Cabo Verde. Sobre a escolha do comprador, o administrador Diogo Lacerda Machado afirmou que “esta é uma maneira muito boa e muito relevante de o governo e o Estado terem uma intervenção na economia”.

De acordo com o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, a aquisição dos 27,44% das ações da Caixa Económica da Geocapital pelo Estado será feita pelo tesouro via Bolsa de Valores, depois da aprovação do banco central e que é um processo que o governo espera concluir dentro de seis meses.

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A aquisição foi aprovada pelo Banco de Cabo Verde. Em entrevista ao Económico Cabo Verde, o presidente da comissão executiva da Caixa Económica, Emanuel Moreira, acredita que dentro de dois meses as negociações entre  o comprador, a IHCV, a Geo Capital e os outros acionistas poderão ser finalizadas.
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