Jovens emigrantes: Mais de metade quer regressar a Portugal mas só 8% tem planos para o fazer

Inquérito internacional promovido pela Fundação AEP revela que 62% dos jovens portugueses altamente qualificados continua a emigrar.

62% dos jovens portugueses qualificados, com habilitações de nível pós secundário, com idades compreendidas maioritariamente entre os 30 e 39 anos, continua a emigrar. Entre os emigrantes jovens qualificados, as mulheres lideram ligeiramente: 50,6% contra 49,4% de homens.

Estes são os resultados de um inquérito internacional promovido pela Fundação AEP que decorreu entre dezembro 2016 e abril de 2017 na diáspora portuguesa (com especial incidência na Europa) e que revela que 2% dos inquiridos chegaram aos seus destinos no estrangeiro já em 2017.

No entanto, mais de metade (56,4%) dos jovens emigrantes gostaria de voltar e ser empresário em Portugal, considerando-se 64% com perfil de empreendedor ou de potencial empreendedor. Um número elevado de jovens emigrantes qualificados (35%) pensa, porém, nunca mais regressar ao país.

De acordo com o estudo, mais de metade dos jovens emigrantes chegaram depois de 2011 sendo que o ano que congrega mais emigração é o de 2012, com uma percentagem de 18%.

Nas respostas obtidas quanto ao período previsível para o regresso, 40,5% dos emigrantes responderam que essa será uma decisão daqui a mais de cinco anos. Também uma proporção importante, de 27,2%, responde que será daqui a mais de três anos e menos de cinco anos. Apenas 8,4% referiu a possibilidade de um regresso no próximo ano.

 O fator que mais influencia o regresso é a saudade (71%), para “estar próximo da família e dos amigos”. Mas também mais de metade dos emigrantes (54,3%) selecionaram “oportunidades de carreira” como fator de influência no regresso. Seguiram-se 29% a escolher o “rendimento a auferir em Portugal”, 27% o fator “oferta de emprego em Portugal” e também 27% o da “oportunidade de desenvolver o meu próprio negócio em Portugal”.

Para os que não pensam regressar, mais de metade (57,8%) selecionou o fator “poucas oportunidades de carreira”, 52% “os baixos salários na minha profissão”, 41,5% as “poucas oportunidades de emprego na minha área de experiência” e quase 40%  a situação de “instabilidade económica”.

No que se refere à origem do emigrante , última residência, que não local de nascimento –, o distrito de Lisboa lidera largamente com 40% das respostas. Quanto ao destino da emigração, o Reino Unido está à frente com 28,7% das respostas.

O estudo é uma iniciativa da Fundação AEP, com o apoio da União Europeia/Feder (através do Compete 2020) no âmbito do projeto Empreender 2020 – Regresso de uma Geração Preparada.

O relatório apresenta uma síntese de resultados do inquérito por questionário colocado online e dirigido a portugueses (nascidos e ou nacionais) residentes no estrangeiro com habilitações de nível pós-secundário. Ao questionário responderam 1.140 inquiridos, tendo os mais velhos inquiridos nascido em 1967 (50 anos este ano) e, o mais novo, em 1995 (22 anos em 2017). Em termos de grupos etários, verifica-se que mais de 1/3 da população inquirida é muito jovem e tem entre 30 e 34 anos e 1/4 situa-se no grupo etário seguinte (entre 35 e 39 anos).

 

 

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