Gestão feminina está mais representada nas micro empresas

Mas, a presença feminina nos conselhos de administração das empresas cotadas quase duplicou nos últimos seis anos apresentando atualmente um valor de 12,2%, constata a Informa D&B.

Andrew Winning/Reuters
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Um estudo da Informa D&B conclui que a liderança e gestão feminina cresce lentamente mas com consistência nos últimos anos e que quase 1/3 das micro empresas são geridas por mulheres, nas quais o gestor e o dono do capital são habitualmente a mesma pessoa.

A gestão feminina perde no entanto o peso à medida que cresce a dimensão das empresas. Nas grandes empresas, os cargos de gestão/administração ocupados por mulheres ainda não chegam aos 15%.

Quase um terço das micro empresas são geridas por mulheres. Nestas empresas (que representam 95% de todo o tecido empresarial), que têm em média 219 mil euros de volume de negócios e 4 empregados, o gestor e o dono do capital são habitualmente a mesma pessoa (88% dos casos).

As micro empresas reúnem também a grande maioria (83%) dos poderes de decisão do tecido empresarial nacional e a gestão é na sua quase totalidade representada pela função de gerência.

Os setores que concentram a maioria destes pequenos negócios são os que têm uma maior percentagem de mulheres em cargos de gestão – Serviços, com 37% e Retalho com 34%. Dentro dos Serviços, destacam-se as áreas de Beleza, Educação e Saúde. Com menor percentagem de gestores femininos nos pequenos negócios estão os setores das Telecomunicações, da Construção e do Gás, eletricidade e água.

Nas empresas lideradas por mulheres, 52% dos restantes gestores são do género feminino. Nas empresas com liderança feminina (apenas 16% das pequenas, médias e grandes empresas), mais de metade (52%) dos cargos de gestão são ocupados por mulheres e a diversidade de género nas equipas de gestão e direção é bastante maior — 88% das equipas de gestão e 72% das equipas de direção são mistas (com 35% de cargos femininos), diz a Informa D&B.

Esta realidade contrasta com as empresas lideradas por homens (84% do total), onde 82% dos cargos de gestão são ocupados por homens. No caso da liderança masculina apenas 44% das equipas de gestão são mistas, sendo as restantes exclusivamente masculinas. Nestas empresas 74% dos diretores executivos são homens.

A presença feminina nos conselhos de administração das empresas cotadas quase duplicou nos últimos seis anos apresentando atualmente um valor de 12,2%.

As mulheres representam um terço dos poderes de decisão do tecido empresarial português, valor que aumentou 3 pontos percentuais nos últimos 5 anos. Dentro dos poderes de decisão do tecido empresarial, 26% assume apenas uma participação no capital enquanto sócio/acionista, sem participação na gestão; a grande maioria assume cargos de gestão/administração (68%) onde uma parte significativa participa também no capital e 6% são cargos de direção executiva (direção de 1ª linha), diz a Informa D&B.

No entanto, a 8ª edição do estudo ‘Participação feminina na gestão das empresas em Portugal’ da Informa D&B mostra duas realidades no tecido empresarial português no que toca ao rotagonismo feminino nos poderes de decisão: Por um lado as micro empresas, onde as mulheres estão a ganhar relevância e, por outro, as PME e as grandes empresas, onde a sua participação ao nível da gestão se vai reduzindo à medida que aumenta a dimensão da empresa.

Segundo Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B, ‘nesta edição do estudo sobre a participação feminina na gestão das empresas portuguesas procurámos caraterizar a participação feminina separando o universo das micro empresas das restantes, por ser o segmento onde se encontram as tendências de mudança mais significativas; há um aumento significativo de mulheres na criação de novas empresas e na condução de negócios de pequena dimensão. Nas PME e nas grandes empresas a tendência é positiva mas o aumento continua a ser marginal’.

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