Gestores acusados da queda do BES reclamam mais de 24 milhões

Ricardo Salgado encabeça a lista dos ex-gestores considerados culpados pela falência do Banco Espírito Santo: 9,9 milhões de euros. Bancos e fundos de investimento estrangeiros, como a Pimco, Goldman Sachs e Blackrock exigem, em conjunto, a restituição de cerca de mil milhões.

Rafael Marchante/Reuters

Ricardo Salgado encabeça a lista dos 12 ex-gestores que reclamaram créditos no valor de 24,3 milhões de euros e que foram acusados pela falência do Banco Espírito Santo (BES), noticia o “Jornal de Negócios”.

Na passada sexta-feira, dia 31 de maio, a lista de credores reconhecidos pela comissão liquidatária do BES deu entrada no Tribunal do Comércio de Lisboa, na qual foram reconhecidos 4.955 credores que, no total, reclamam uma quantia superior a cinco mil milhões de euros, repartida entre credores particulares e institucionais.

Ricardo Salgado foi quem reclamou a quantia mais elevada, exigindo a restituição de mais de 9,9 milhões de euros. Morais Pires pediu 5,6 milhões, Manuel Espírito Santo Silva e José Maria Ricciardi querem a restituição de 2,5 milhões, enquanto Ricardo Abecassis reclamou 1,4 milhões. Os restantes sete ex-gestores do BES exigem a restituição de montantes inferiores a um milhão de euros.

Entre os credores reconhecidos apenas um ex-gestor do BES considerado culpado pela falência do banco em 2014 não apresentou qualquer reclamação de crédito: José Manuel Espírito Santo Silva.

Mas a lista de credores reconhecidos não inclui apenas credores particulares, mas também bancos e fundos de investimento. Neste segundo grupo estão incluídos o Goldman Sachs, a Pimco e a Blackrock que, em conjunto, reclamam mais de mil milhões de euros – 20% do montante total de créditos ao banco falido em 2014.

A Pimco reclamou 568 milhões de euros, a maior quantia exigida por estas três entidades estrangeiras. Segue-se o Goldman Sachs, que reclamou 314 milhões e a Blackrock, que exigiu a restituição de 135 milhões.

Entra as entidades nacionais, o Banco de Portugal exigiu cerca de seis milhões de euros, uma quantia significativamente abaixo da reclamada pelo Novo Banco: 277 milhões.

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