Governo assina contrato para pagamento de 145 milhões aos lesados do papel comercial do GES

“O Ministério das Finanças assinou com a sociedade gestora do fundo de recuperação dos lesados do BES, a Patris, um contrato de empréstimo que permite ao fundo ter todos os meios financeiros para que seja feito o pagamento da primeira tranche aos lesados, no valor de 130 milhões de euros, e um montante adicional de cerca de 15 milhões para fazer face a despesas que o fundo terá na recuperação dos créditos”, disse Ricardo Mourinho Félix à Lusa.

Cristina Bernardo

O secretário de Estado adjunto e das Finanças disse hoje à Lusa que foi assinado um contrato de empréstimo no valor total de 145 milhões de euros, para reembolsar os lesados do papel comercial do BES.

“O Ministério das Finanças assinou com a sociedade gestora do fundo de recuperação dos lesados do BES, a Patris, um contrato de empréstimo que permite ao fundo ter todos os meios financeiros para que seja feito o pagamento da primeira tranche aos lesados, no valor de 130 milhões de euros, e um montante adicional de cerca de 15 milhões de euros para fazer face a tudo o que são despesas que o fundo terá na recuperação dos créditos”, disse Ricardo Mourinho Félix.

Segundo o secretário de Estado, a solução propõe que os lesados recuperem 75% do valor investido, num máximo de 250 mil euros, isto se tiverem aplicações até 500 mil euros. Já acima desse valor, irão recuperar 50% do montante investido. O pagamento deverá ocorrer entre o primeiro trimestre de 2018 e o início do segundo.

“Este valor corresponde, aproximadamente, ao que os lesados tinham direito no âmbito da liquidação do Banco Espírito Santo (BES) e do ressarcimento que é feito à luz da cláusula [que garante] que nenhum credor pode ficar numa situação de resolução pior do que aquela que ficaria [perante] a liquidação do banco. Estas pessoas são ilegíveis enquanto credoras do BES, que lhes vendeu papel comercial, não lhes dando toda a informação”, sublinhou.

O secretário de Estado adjunto e das Finanças disse ainda que o Estado e o Governo estão a “remediar” a situação, garantindo uma partilha de custos.

“Aquilo que se estima é que [do total] de créditos que valem 433 milhões de euros, os lesados venham a receber […] 130 milhões em 2018 e depois em duas tranches de 78 milhões em 2019 e 2020”, concluiu.

Em julho, o parlamento aprovou a criação dos fundos de recuperação de crédito, legislação que permite avançar com a solução para indemnizar os cerca de 2.000 clientes que investiram 400 milhões de euros na compra, aos balcões do BES, de papel comercial das empresas Espírito Santo Financial e Rio Forte, do Grupo Espírito Santo.

Esse investimento nunca seria reembolsado com o colapso do banco e do GES, no verão de 2014.

Ler mais
Relacionadas

Lesados do BES exigem do Novo Banco pagamento integral da provisão

Cerca de duas dezenas de lesados do Banco Espírito Santo (BES) voltou hoje a manifestar-se na Avenida dos Aliados, no Porto, para exigir o pagamento da totalidade do dinheiro através da provisão criada para reembolsar clientes.

Estado financia em 145 milhões fundo dos lesados do BES

O governo decidiu financiar diretamente a solução dos lesados do BES, em vez de um empréstimo bancário, para acelerar pagamento e reduzir custos.

Finanças dizem que empréstimo a lesados do BES já estava previsto nas contas de 2017

Financiamento direto do Estado fundo dos lesados do BES, em vez de empréstimo bancário, não vai ter impacto nas contas públicas. Finanças asseguram que 145 milhões de euros que servirão para pagar primeira tranche de indemnização estava “ já previsto nas contas de 2017”.
Recomendadas

Italiano BFF Banking Group abre sucursal em Lisboa

O BFF Banking Group, cotado na Bolsa de Milão desde 2017, apresenta-se como líder especializado na gestão de cobranças e no factoring de pagamentos a receber da administração pública e dos sistemas de assistência médica na UE.

Moody’s: ratings do BCP, CGD e BPI sobem dois níveis

Moody’s sobe ratings da banca nacional depois de tirar Portugal de ‘lixo’. CGD, BCP, BPI, Montepio e Santander viram as classificações subir na sequência da subida do rating da República.

“Empresas têm de consolidar resistência ao impacto das alterações climáticas”, alerta Zurich

Divulgado na Climate Week NYC – encontro anual de investidores, governantes, CEO de diferentes empresas e cientistas, que decorre em Nova Iorque – o relatório destaca a eventual insuficiência dos esforços realizados para travar o aquecimento global.
Comentários