Governo estuda reforço da frota da Portugália para aumentar receitas da TAP

Esta seria a forma de obter acréscimo de receitas para a TAP numa fase de crise provocada pela pandemia e combater a concorrência de companhias aéreas como a Ryanair, easyJet ou Transavia, que se intensificou no mercado nacional nos últimos meses.

O Governo está a estudar em conjunto com a atual administração da TAP o reforço da frota da Portugália para efetuar voos ponto a ponto a partir dos aeroportos do Porto e de Faro para aeroportos mais baratos na Europa.

Esta seria a forma de obter acréscimo de receitas para a TAP numa fase de crise provocada pela pandemia e combater a concorrência de companhias aéreas como a Ryanair, easyJet ou Transavia, que se intensificou no mercado nacional nos últimos meses.

“A TAP tem a Portugália, que tem uma marca, que é a TAP Express, que não é ainda suficientemente conhecida, que tem aviões mais pequenos, mais baratos, e que podem ser usados para fazer uma operação ponto a ponto e nós temos na Portugália uma frota muito reduzida. E a possibilidade que se está a estudar é reforçar a frota da Portugália e fazermos ligações ponto a ponto dentro da Europa, a partir do Porto, a partir de Faro, para aeroportos mais baratos, para ver se conseguimos ser competitivos com as companhias aéreas Ryanair, easyJet e Transavia, que estão neste momento a atacar muito o nosso mercado”, revelou ontem, dia 15 de outubro, Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, na Assembleia da República, em mais uma audição parlamentar da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação sobre a TAP.

Segundo o governante, o reforço da frota da Portugália “era uma possibilidade de nós continuarmos a TAP, com a sua frota, a fazer os voos intercontinentais e, depois, a ligação ao resto da Europa, e depois apostarmos na Portugália como instrumento que permitiria à TAP aproveitar melhor os aeroportos do Porto e de Faro”.

“A Portugália tem (…) 13 aviões. São os que estão a ser mais requisitados, são os que têm lotações menores, são os aviões mais baratos face à procura que hoje temos. Está a ser estudada a possibilidade de reforçar a frota da Portugália, reforçar a estratégia ponto a ponto”, confimou mais adiante na audição de ontem, o ministro Pedro Nuno Santos.

No entender do ministro, “a estratégia ponto a ponto é a que pode dar nos próximos anos receitas à TAP, porque em relação à estratégia ‘hub & spoke’, os voos intercontinentais estão fechados e assim deverão continuar por uns tempos”.

Pedro Nuno Santos recordou ainda que segundo os últimos estudos divulgados pela IATA – Associação Internacional de Transportes Aéreos e pelo Eurocontrol o setor intercacional da aviação só deverá começar a recuperar do impacto negativo criado pela Covid-19 a partir de 2024, na melhor das hipóteses.

“Nós queremos ter uma TAP que seja sustentável, que possa exercer a sua missão como ‘hub & spoke’, mas também reforçar a sua estratégia ponto a ponto. Temos uma companhia que se estava a especializar numa estratégia ‘hub & spoke’ e, por isso é que isso teve as consequências no Porto e no Algarve, e nós queremos saber se é possível combinar com uma estratégia ponto a ponto, que nos próximos anos é a que vai dar receita à TAP. Como as rotas intercontinentais estão praticamente fechadas, temos de encontrar alternativas”, justificou o ministro das Infraestruturas.

A Portugália tem neste momento em funcionamento uma frota de 13 aviões: nove Embraer 190 LR e quatro Embraer 195 AR, sendo estes aviões muito utilizados na ponte aérea Lisboa-Porto, por exemplo.

Os Embraer 190 LR  transportam 106 passageiros cada um, têm um alcance de 4.445 quilónetros e atingem uma velocidade cruzeiro de 871 quilómetros por hora.

Por seu turno, os Embraer 195 AR podem transportar mais clientes, 118 passageiros cada um, mas têm um alcance ligeiramente inferior, na ordem dos 4.260 quilómetros, atingindo a mesma velocidade de cruzeiro.

Pedro Nuno Santos disse ontem na Asssembleia da Repúblia que o reforço da frota da Portugália é uma das vertentes estratégicas que está a ser analisada no âmbito do plano de reresstruturação da TAP, que está a ser elaborado, e que terá de ser apresentado à Comissão Europeia até 10 de dezembro próximo, mas que o governante pretende concluir antes dessa data.

Korn Ferry contratada para escolher CEO da TAP

Também até ao final do ano, deverá ser escolhido o novo CEO da TAP, depois de já ter sido contratada pelo Governo português a empresa de recrutamento para o efeito, a consultora de gestão Korn Ferry, com sede em Los Angeles, Estados Unidos.

Pedro Nuno Santos admitiu que o futuro CEO da TAP até poderá ser português, uma vez que a base de recrutamento da Korn Ferry não vai excluir nenhuma geografia.

O ministro das Infraestruturas aproveitou mais esta audição parlamentar para tornar públicos novos números que retratam a relevância da companhia aérea de bandeira para a economia nacional e justificar a decisão do Governo de não deixar cair a empresa no cenário de falência.

Segundo os dados fornecidos por Pedro Nuno Santos, a TAP gera direta e indiretamente mais de 100 mil postos de trabalho em Portugal: 12 mil no alojamento; 25 mil na restauração; 15 mil noutras atividades turísticas, 1.500 nos aeroportos; 20 mil em transportes e comunicações; e oito mil no imobiliário.

De acordo com os estudos trazidos pelo ministro das nInfraestruturas à Assembleia da República, a TAP contribui para 84 milhões de euros anuais de salário no alojamento, 78 milhões de euros de salários nos restaurantes, 100 milhões de euros no turismo e 80 milhões de euros, quer nas empresas aeroportuárias, quer no imobiliário.

Em 2019, a TAP faturou 3,3 mil milhões de euros, dos quais 80% para clientes internacionais, o que representou exportações, mais cerca de 700 milhões de euros para clientes nacionais.

Além de efetuar compras anuais a mais de mil empresas portuguesas no valor de 1,3 mil milhões de euros, sublinhou Pedro Nuno Santos.

“E não estamos a falar de combustível, como eu já ouvi. Comprou 165 milhões de euros em tecnologia, 120 milhões de euros em serviços, 65 milhões de euros em ‘catering’, 300 milhões de euros em serviços aeroportuários e ‘handling'”, justificou Pedro Nuno Santos.

Razões, para segundo o ministro das Infraestruturas, “não podermos olhar para a TAP e ver os 1.200 milhões de euros de auxílio ou mais; temos de olhar para a TAP avaliando qual seria a alternativa se deixássemos cair a TAP”.

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