“Há mais empresas a prepararem-se para emitir obrigações verdes”, realça presidente da Euronext Lisbon

Isabel Ucha falou sobre o financiamento verde e revelou que o apetite dos investidores institucionais pelas obrigações verdes está a aumentar.

Portugal prepara-se para ver mais empresas nacionais a emitirem ‘green bonds’, as chamadas obrigações verdes. Depois da EDP ter emitido 600 milhões de euros em obrigações verdes em 2018, e da Sociedade Bioelétrica do Mondego (subsidiária da Altri) ter levantado 50 milhões através deste instrumento financeiro sustentável este ano, Isabel Ucha, presidente da Euronext Lisbon, revelou que “há mais empresas portuguesas a prepararem-se para emitir obrigações verdes, mas não posso dizer quais”.

A presidente da Euronext foi convidada para participar num painel dedicado ao financiamento ambientalmente sustentável, no âmbito da conferência “Portugal: from here to where?”, promovida pela PSO e da qual o Jornal Económico é media partner. No painel, moderado pelo diretor do JE, Filipe Alves, Isabel Ucha disse que o financiamento sustentável tornou-se numa tendência em crescendo.

“A Euronext é uma empresa líder na colocação de ‘green bonds’ e, nos últimos cinco anos, fizemos cerca de 100 emissões”, disse. “Foram 50 mil milhões de financiamento em ‘green bonds'”, salientou Isabel Ucha, antes de referir que “dentro das cem emissões, 30 foram feitas nos últimos 12 meses. É uma tendência que está a acelerar e a mostrar grande dinamismo”.

Isabel Ucha também falou da aposta no financiamento sustentável fora da Europa. A presidente da Euronext contou que o fundador da BlackRock, o maior fundo de investimento do mundo, Larry Fink escreveu este ano uma carta intitulada “the sense of purpose” no qual “apelou aos CEOs que passem a ter uma perspectiva de longo prazo nas questões ambientais e no governance das empresas”.

Apesar dos investidores institucionais já terem participado em investimentos sustentáveis, a presidente da Euronext alertou que a procura do investidor de retalho por ‘green bonds’ ainda não é tão acentuado. Isto por causa “da falta de comunicação”. Isabel Ucha contou que fez uma ronda pelos bancos nacionais e “nos prospectos de emissão das obrigações verdes, apenas têm duas linhas as explicar os critérios [sobre o impacto ambiental]”, revelou

 

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