Hong Kong enfrenta “novos desafios”, diz presidente chinês

Fórmula de “um país, dois sistemas” da cidade encara “novos desafios”, realçou o presidente chinês na visita em Hong Kong.

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A visita do presidente chinês a Hong Kong aconteceu em pleno clima de tensão entre a China e região administrativa especial, no momento em que esta região enfrenta um ambiente de hesitações diante da crescente interferência de Pequim nos assuntos locais. Esta situação sucede-se apesar do compromisso de ampla autonomia no âmbito do acordo “dois sistemas”.

Durante a visita, Xi Jinping referiu que “nos 20 anos desde que Hong Kong foi devolvido à pátria o sucesso de “um país, dois sistemas” é reconhecido pelo mundo inteiro”, avança a Reuters.

O presidente chinês afirmou ainda que “durante a implementação, encontrámos algumas situações novas, novos problemas e novos desafios. Sobre essas questões, esses desafios devem ser considerados correctamente e analisados racionalmente… os problemas não são assustadores. A chave é pensar em maneiras para resolver esses problemas”.

Maior desfile militar desde 1997

No segundo dia da sua primeira viagem como presidente ao hub financeiro, Xi Jinping inspeccionou mais de 3 mil soldados do Exército Popular de Libertação (EPL). O EPL declarou que era o maior desfile militar da cidade desde a entrega da cidade, em 1997.

Analistas sugerem que o espectáculo de força demonstrado poderia ser dirigido às reivindicações crescentes de alguns jovens activistas radicais para uma maior autodeterminação, ou até mesmo para a independência de Hong Kong, traçando uma ‘linha’ para os governantes do Partido Comunista em Pequim, adianta a Reuters.

O presidente chinês proferiu elogios ao governo de Hong Kong, em particular ao seu líder apoiado por Pequim, Leung Chun-ying, defendendo que este “solucionou efectivamente as forças da independência de Hong Kong e manteve a estabilidade social”.

A presença do EPL na cidade tem sido uma das questões mais sensíveis no tema da devolução de Hong Kong ao domínio chinês, mas as tropas, entre cerca de 8 mil a 10 mil soldados, manteve uma presença discreta.

A significativa força policial de Hong Kong continua a ser responsável pela segurança interna e protege as ruas da cidade.

Durante a visita do presidente as ruas estavam patrulhadas com cerca de 9 mil polícias dispersados, a fim de manter a ordem. Os manifestantes foram mantidos longe do presidente e da sua comitiva. Os cartazes que criticavam a China foram retirados das ruas, embora tivesse ocorrido uma manifestação pela democracia plena, que atraiu dezenas de milhares de pessoas.

Desconfiança e dificuldades na governação

Os protestos “Ocupar” em 2014, que decorreram em Hong Kong por 79 dias, ilustraram a disputa pela democracia plena. Esta questão tem sido determinante para a cidade pois tem mostrado desconfiança, políticas polarizadas e dificuldades na governação.

 

“Democracia já!” foi o que gritou o líder da “Ocupar”, Joshua Wong, quando foi libertado e é o que continuam a reclamar aqueles que afirmam que Hong Kong já se tornou uma colónia chinesa reprimida.

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