Horta Osório: “Portugal está muito fragilizado face a subidas das taxas de juro”

Elevada dívida pública e privada é um risco para o país, segundo o presidente do Lloyds Bank. Horta Osório considera que o setor da banca está mais sólido desde a crise, mas que tem de manter a trajetória de melhorias de capital e redução do malparado.

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O presidente do Lloyds Bank alerta que o endividamento público e privado em Portugal é demasiado elevado, o que deixa o país vulnerável a subidas das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE). António Horta Osório considera que o setor da banca está mais sólido desde a crise, mas alerta que é necessário manter o curso de melhorias de capital e redução do malparado.

“Portugal aumentou a dívida total do país em 45 pontos percentuais, quase 20%. Está próxima 310% do PIB e é maior que a de Itália”, afirmou, Osório, na conferência Banca & Seguros: O Futuro do Dinheiro, organizada esta sexta-feira pela TSF e pelo Dinheiro Vivo com o apoio da Iberinform Crédito y Caución e da Sage, em Lisboa.

O presidente do Lloyds Bank lembrou que as taxas do BCE estão atualmente em a 0%, mas deixarão este nível quando o banco central atingir o mandato de uma inflação de 2%.  “Se a inflação atingir os 2%, é muito normal que as taxas nos mercados monetários sejam esses 2%. Imaginemos que as taxas Euribor que hoje são negativas passam para 2%. Quando acontecer, significa 6% do PIB”, explicou.

“Temos algum tempo para reduzir o peso da dívida, não só a pública, mas as das empresas e dos agregados familiares. Estamos muito fragilizidos caso haja uma subida das taxas de juro dada a dependência da economia”, alertou.

Horta Osório elogiou tanto o Governo de Pedro Passos Coelho como o de António Costa na implementação e manutenção de medidas que apoiaram a economia durante e após a crise. Ainda assim, considera que é necessária “ambição” para manter o caminho. “Saímos de uma situação muito difícil, temos de continuar a conseguir crescer e assegurar a descida da dívida pública”.

“Houve um progresso muito significativo em termos de capital e de desalavancagem do setor bancário. Os non-perfoming loans (NPL) ainda representam 15% do total dos créditos. É muito importante continuar nesta direção e reduzir a possível dependência do setor bancário a choques externos”, afirmou. “Não existem economias fortes sem um setor financeiro saudável e um setor financeiro forte não existe sem uma economia forte”.

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