Humildade, empatia e cooperação na liderança do futuro

A chave para o sucesso de uma organização pode estar onde menos espera. Já ouviu falar em “soft skills, hard results”?

Os resultados são, de uma forma geral, o principal foco de atenção das empresas. Mas nem sempre é possível manter uma performance consistente, a longo-prazo, e geradora de valor. Os líderes questionam-se, olham para os processos e tentam perceber onde estão falhas. Nesse momento, deve sobressair a humildade. Saber liderar é ter a capacidade de entender que nós podemos ser parte do problema. Mas não só.

Ao conhecimento técnico, que será sempre utilizado para resolver as situações mais delicadas, os líderes devem juntar as soft skills: competências interpessoais, sociais e de comunicação, que privilegiam a partilha, empatia e cooperação entre as equipas.

Recentemente, o Financial Times divulgou um estudo sobre o que procuram os empregadores quando pretendem recrutar. As soft skills figuravam no topo. Saber trabalhar em equipa e em contextos marcados pela diversidade (cultural, étnica, de género, etc.) é fulcral, numa economia globalizada e que corre uma maratona de desafios. Mas será fácil avaliar essas competências? A resposta é “não”, já que o recrutamento através de provas técnicas online e entrevistas à distância é uma tendência crescente.

Para responder a tudo isto, as escolas de negócios têm definido novos programas, onde as soft skills são trabalhadas como uma jornada de autêntica autodescoberta, dentro e fora das salas de aula. A palavra de ordem é explorar os talentos de maneira criativa e menos convencional. Assim, os futuros líderes tornam-se conscientes da sua identidade, entendem a maneira como têm de enfrentar os problemas e adquirem ferramentas que irão alimentar as suas próprias escolhas.

Ainda há espaço para melhorias, quer nas instituições de ensino, quer nas empresas, já que a realidade laboral está em constante adaptação a novos modelos. Mas uma coisa é certa. Quem lidera não deve estar preso a hierarquias. Quem lidera tem de desenvolver competências relacionais, às quais se juntam a criatividade e a inovação. Quem lidera enfrenta, necessariamente, um longo caminho de constante atualização para antecipar cenários, em sintonia com toda a equipa. No final, somam-se as experiências, um ambiente que fomente o diálogo e a liberdade para a cocriação. O resultado é a convergência de objetivos organizacionais e pessoais. A conta é simples e eficaz.

Anabela Possidónio, Diretora Executiva do The Lisbon MBA

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