Húngaros admitem justeza da decisão da União Europeia

Uma sondagem feita na Hungria aponta para que a população entende porque é que a União Europeia está a ameaçar o país com a imposição de restrições aos seus direitos comunitários.

REUTERS/Francois Lenoir

Uma sondagem da Euronews Pulzus, feita a 800 húngaros de ambos os géneros, dos 18 aos 49 anos de idade, com base na pergunta ‘A decisão de Estrasburgo de aplicar o Artigo 7º, um processo punitivo contra um Estado-membro, foi justa?’, revela que o país está ciente da justeza da decisão comum que se encontra em desenvolvimento.

À pergunta, 56,4% dos húngaros inquiridos responderam que a Hungria recebeu a aplicação do Artigo 7º de forma justa, 23% não concordam e 19,9% não têm opinião sobre o assunto.

Durante a sondagem foi ainda colocada a questão sobre se ‘As resoluções condenam as políticas do governo húngaro ou a Hungria como um todo?’. A maior parte dos inquiridos, cerca de 53%, considera que a decisão do Parlamento Europeu condena apenas o governo de Orbán e 12% acredita que este primeiro passo para um possível castigo atinge todo o país.

A sondagem surge apenas como um indicador, dado que, segundo os especialistas, é precisamente nas faixas etárias mais envelhecidas que o governo de extrema-direita de Viktor Orbán encontra parte substancial da sua base de apoio – nomeadamente junto das populações envelhecidas das zonas rurais, que votaram maioritariamente no partido que se encontra no pode, conferindo-lhe uma maioria absoluta nas eleições realizadas no princípio de abril passado.

Os analistas, contudo, parecem estranhar mais as respostas obtidas à segunda pergunta. As sanções que podem vir a ser impostas ao país irão por certo afetar diretamente a população húngara, uma vez que o governo do país terá maior dificuldade – se a ameaça do artigo 7º se concretizar – em impor a sua vontade junto dos restantes Estados-membros da União Europeia e em aceder aos benefícios do agregado.

Entretanto, Orbán não dá mostras de estar a considerar fazer concessões em relação à vontade de Bruxelas e de Estrasburgo. Internamente, segundo os meios de comunicação do país, o primeiro-ministro tem apresentado a questão como uma espécie de perseguição europeia à vontade nacional, insistindo que aquilo que separa a Hungria da Comissão Europeia (fundamentalmente a questão dos imigrantes e refugiados) é uma questão interna que não pode ser gerida a partir de Bruxelas.

A Comissão Europeia tem uma opinião precisamente contrária: a questão dos imigrantes e refugiados é pan-nacional e, nessa medida, a recusa húngara de acatar as decisões de Bruxelas configuram um revés na imagem institucional externa da própria União. Foi por isso, aliás, que a União decidiu implementar os mecanismos que podem acabar – mesmo que haja muitas dúvidas sobre isso – na imposição das sanções previstas no artigo 7º do Tratado de Lisboa.

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