‘Impeachment’. Presidente da Câmara dos Representantes acusa Donald Trump de “suborno”

Os democratas que controlam a Câmara dos Deputados investigam se há mérito em processar Trump por abuso de poder, ao supostamente suspender ajuda militar à Ucrânia a troco de uma investigação ao candidato democrata Joe Biden num caso de corrupção. “O suborno é conceder ou reter assistência militar em troca de uma investigação falsa”, disse Pelosi.

Presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi | Foto de Alex Wong / Getty Images

A presidente da Câmara de Representantes Nancy Pelosi acusou o presidente Donald Trump de “suborno”, um crime que pode levar à destituição, escreve a Reuters, esta sexta-feira.

Durante a primeira ronda de audiências públicas mediante o processo de destituição contra o presidente norte-americano, Pelosi disse que o “depoimento devastador” dado por duas testemunhas “corroborou as provas de suborno de Trump” como parte do pedido ao hómologo ucraniano para investigar o adversário democrata de Trump, Joe Biden.

“O suborno aqui foi conceder ou reter assistência militar em troca de uma declaração pública de uma investigação falsa sobre as eleições. Isso é suborno ”, disse Pelosi, principal democrata do Congresso, numa conferência de imprensa no dia a seguir à primeira audiência pública no inquérito de impeachment que foi  anunciado em setembro.

“O que o presidente admitiu e diz que é ‘perfeito’, eu digo que está perfeitamente errado. É suborno”, rematou a líder da câmara baixa. A democrata acrescentou ainda que o caso Watergate, o escândalo que fez o ex-presidente republicano Richard Nixon renunciar em 1974 quando ficou claro que seria submetido a um processo de impeachment, comparado a esta investigação parece “quase pequeno”.

Os democratas estão a investigar se o presidente republicano abusou do seu poder ao reter 391 milhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia para que o país anunciasse que ia investigar Joe Biden, um dos seus possíveis adversários nas eleições de 2020. O dinheiro, aprovado pelo Congresso para ajudar um aliado dos EUA a combater os separatistas apoiados pela Rússia na parte oriental do país, foi posteriormente fornecido à Ucrânia.

Até agora, os democratas não usavam a palavra “suborno” para descrever as supostas irregularidades de Trump, usando invés disso a frase “quid pro quo”, uma expressão latina que significa “algo dado ou recebido por outra coisa” e que frequentemente é usada em casos de extorsão.

As audiências prosseguem esta sexta-feira com a antiga embaixadora em Kiev, Marie Yovanovitch. Na audiência privada, a diplomata afirmou ter sido afastada do cargo por Donald Trump, na primavera, vítima de uma “campanha concertada” na qual foi atacada pelo advogado pessoal do presidente, Rudy Giuliani.

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