Indícios de recessão da economia norte-americana penaliza Wall Street

Nos Estados Unidos, a curva dos juros a dois anos inverteu esta quarta-feira pela primeira vez desde 2007, algo que os investidores encaram como um sinal de que a maior economia mundial poderá entrar em recessão. Com esta inversão da curva as ‘yields’ da dívida a dois anos subiram acima das ‘yields’ da dívida ‘benchmark’.

Os três principais índices da bolsa de Nova Iorque abriram a terceira sessão da semana com perdas, não conseguindo prolongar os ganhos que se registaram no encerramento na véspera. Esta terça-feira, os índices foram impulsionados pelo anúncio da retoma das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China e ainda pelo adiamento das novas tarifas aduaneiras norte-americanas às exportações chinesas.

No entanto, esta quarta-feira, o sentimento do mercado está a ser penalizado por causa dados sobre o desempenho das economias chinesa e alemã e ainda pela inversão da curva das taxas dos juros da dívida soberana norte-americana a dois e a dez anos, indiciando que a maior economia mundial poderá entrar em recessão.

Em relação à guerra comercial, os investidores mantêm-se inquietos porque está a começar a ter impacto na economia mundial.

Nos Estados Unidos, a curva dos juros a dois anos inverteu esta quarta-feira pela primeira vez desde 2007, algo que os investidores encaram como um sinal de que a maior economia mundial poderá entrar em recessão. Com esta inversão da curva, que significa que se tornou mais caro pedir dinheiro no curto-prazo do que no longo-prazo, as yields da dívida a dois anos subiram acima das yields da dívida benchmark.

Na China, os dados publicados esta quarta-feira demonstraram que a produção industrial caiu para valores mínimos desde 2002, recuando 4,8% em julho deste face a igual período do ano passado. E, na Alemanha, a contração do PIB em 0,1% também indicia dificuldades económicos para a zona euro, temendo-se que a Europa entre em recessão este ano.

Na abertura da sessão, esta quarta-feira, o S&P 500 perdia 1,49%, para 2.882,60 pontos; o tecnológico Nasdaq desvalorizava 1,73%, para 7.594,36 pontos; e o industrial Dow Jones recuava 1,13%, para 25,982,25 pontos.

Neste contexto, as cotadas norte-americanas que operam em diversos setores e cujas vendas dependem do comércio internacional e das relações comerciais com a China estão a ressentir-se. A Caterpillar, por exemplo, perde 2,65%, enquanto as tecnológicas Nvidia e Qualcomm caem, respectivamente, 2,77% e 1,04%.

Nas FAANG, que têm liderado os ganhos dos principais índices, também se verifica a desvalorização dos títulos, acima de 1%. Os títulos da Amazon e a Netflix perdem 2,24% e 2,58%, respectivamente.

Nas matérias-primas, o preço do “ouro negro” está a desvalorizar. Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte, referência para o mercado europeu, negoceia nos 59,43 dólares depois de recuar 3,05%. Nos EUA, a referência West Texas Intermediate cai 3,40% para 55,16 dólares.

 

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