Indústria automóvel diz que estudo sobre manipulação no consumo dos carros não “reflete realidade atual”

A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel argumenta que a nova legislação WLTP, que entra em vigor em setembro, irá “corrigir” diferenças nos consumos. Em causa está o estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiental que concluiu que, entre 2000 e 2017, os portugueses foram defraudados em 1,6 mil milhões de euros em combustível extra.

A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) considera que o estudo sobre manipulação no consumo dos carros não se adequa ao panorama em que se encontra este mercado em Portugal. A organização que congrega e representa, nacional e internacionalmente, os fornecedores de componentes para a indústria automóvel lembra que o novo quadro legal vai evitar a desconfiança que se gerou perante estas empresas.

“É de referir que este estudo não reflete a realidade atual, pois a nova legislação WLTP (Worldwide Harmonized Light Vehicle Test Procedure – Procedimento de Teste Global Harmonizado para Veículos Ligeiros), que entrará em vigor a 1 de setembro [e substituirá o teste NEDC] «corrigirá» estas diferenças nos níveis dos consumos”, defende a associação, em comunicado divulgado esta quarta-feira.

Uma das conclusões retiradas do estudo “Ending the cheating and collusion: Using real world CO2 measurements within the post-2020 CO2″, realizado pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiental, é a de que, entre 2000 e 2017, os portugueses foram defraudados em 1,6 mil milhões de euros em combustível extra devido à manipulação latente dos testes de emissões de dióxido de carbono (CO2) que as fabricantes de automóveis terão realizado em conluio.

“Os valores anunciados pelos construtores se referem sempre a medições em laboratório. Devido às condições otimizadas em que os carros são testados, os valores de consumos e emissões assim apurados serão sempre mais favoráveis do que os resultantes da condução em estrada, sujeitos a uma grande variabilidade de parâmetros. Este desvio afeta todos os veículos automóveis, independentemente da sua motorização”, explica a AFIA. Na mesma nota, as fabricantes automóveis defendem que não faz sentido “penalizar os construtores pelo facto de as viaturas na condução em estrada registarem maiores consumos do que no laboratório”.

Tanto a União Europeia como a associação responsável pelo estudo publicado ontem encaram o WLTP como um teste mais fiável do que o seu antecessor, estando de acordo que haverá diferenças entre os níveis das emissões de CO2 registadas ao abrigo do novo WLTP e as emissões registadas em condução na estrada. Porém, enquanto o bloco europeu estima que essa diferença será entre 10% a 15%, a análise cita pesquisas que anteveem que essa diferença se situe nos 23%.

Relacionadas

SIVA recusa comentar manipulação nos consumos dos carros mas destaca novas regras

A SIVA, distribuidora em Portugal das marcas Volkswagen, Audi, Skoda, Lamborghini e Bentley, recusou hoje comentar a alegada manipulação no real consumo dos carros, mas destacou as regras mais apertadas que entram em vigor em setembro.
Recomendadas

Site do Jornal Económico teve melhor desempenho de sempre no primeiro trimestre de 2019

Site do Jornal Económico recebeu 12,5 milhões de visitas entre janeiro e março de 2019, o que representa uma subida de 20% face ao mesmo período do ano passado. Número de utilizadores cresceu 30% para cinco milhões e o tempo médio de permanência no site mais do que duplicou, para sete minutos. Obrigado pela sua preferência!

Fórum: a banca à medida dos clientes

A banca digital está a responder às necessidades dos clientes, habituados a um mundo cada vez mais tecnológico. Pretendemos e podemos resolver os nossos problemas financeiros quando, onde e como queremos.

Guta Moura Guedes à frente da Associação Comporta Futuro

A ideia é que Guta Moura Guedes, dinamizadora do Experimenta Design, traga o seu know-how e contactos para dinamizar e internacionalizar a produção cultural de região.
Comentários