Indústria da pasta e papel já importa 200 milhões de euros em madeira por ano

A escassez de de oferta interna está a preocupar os principais empresários do setor, como Pedro Queiroz Pereira, dono da Navigator Company, uma das maiores produtoras europeias de pasta e papel.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O setor industrial nacional da pasta e do papel já importa todos os anos cerca de 200 milhões de euros de madeira, devido à escassez de oferta interna.

Esta situação está a preocupar os principais empresários do setor, como Pedro Queiroz Pereira, dono da The Navigator Company (ex-Portucel), uma das maiores produtoras europeias de pasta e papel.

“(…) A Navigator vê com preocupação a intenção do Governo em fazer aprovar, no âmbito da reforma da legislação que regula o setor florestal, um diploma legal que proíbe a plantação de novas áreas com eucalipto, apenas permitindo plantações de novas áreas por troca cm plantações já existentes em zonas marginais e de baixo rendimento”, sublinhava o relatório e contas da empresa liderada por Pedro Queiroz Pereira referente ao exercício de 2016.

Nesse mesmo documento, a administração da The Navigator Company, de que Pedro Queiroz Pereira é neste momento chairman, tece mais críticas a esta iniciativa legislativa do Governo: “esta proposta, que carece de qualquer fundamento técnico e ambiental, não tem em consideração a importância do eucalipto para a economia nacional e irá provocar dificuldades acrescidas num setor onde já existe um desequilíbrio entre a oferta e a procura, e que atualmente já importa cerca de 200 milhões de euros de madeira por ano”.

Pedro Queiroz Pereira volta à carga no documento de apresentação das contas da The Navigator Company referentes ao primeiro trimestre deste ano, considerando que as “medidas aprovadas pelo Governo para a limitação das plantações do eucalipto prejudicam 400 mil produtores florestais e podem provocar a perda de competitividade da indústria da pasta e papel, que actualmente já importa cerca de 200 milhões de euros de madeira por ano”.

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