INE aponta para forte contração da atividade económica em Abril

Impacto da pandemia e das medidas de confinamento na economia portuguesa intensificou-se, com valores a atingirem mínimos em todas as categorias.

Mário Cruz/Lusa

A síntese de conjuntura de abril, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, revela uma forte contração da atividade económica nesse mês, agravando os sinais negativos verificados em março. O indicador de confiança dos consumidores atingiu o valor mínimo desde maio de 2013 e todos os indicadores setoriais diminuíram de forma abrupta face ao mês anterior, destacando-se ainda mais pela negativa as categorias de alojamento, restauração e similares e de atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas.

Entre outros indicadores que evidenciam o impacto económico da pandemia de Covid-19 e das medidas de confinamento tomadas durante a vigência do estado de emergência, o INE destaca a quebra das vendas de veículos em abril (menos 87% nos ligeiros de passageiros, menos 69,9% nos comerciais ligeiros e menos 72,2% nos pesados) e a redução de 38,6% no montante global de levantamentos nacionais e pagamentos de serviços e de compras em terminais de pagamento automático da rede Multibanco, depois de ter 17% em março.

Apesar disso, os resultados do inquérito rápido e excecional às empresas promovido pelo INE e pelo Banco de Portugal, com respostas obtidas até 15 de maio, indicam que a proporção de empresas em funcionamento aumentou para 90% (contra 84% na segunda quinzena de abril). Mas 77% dessas empresas indicam impacto negativo no volume de negócios.

No enquadramento externo da economia é destacada a redução abrupta do índice de produção industrial dos principais países clientes de Portugal em março, com uma variação homóloga de -13,1% em março (em fevereiro a queda fora de apenas 1,8%), enquanto o saldo das opiniões dos empresários da indústria transformadora desses países sobre a evolução das suas carteiras de encomendas apresentou uma descida recorde em abril, situando-se ao nível mais baixo desde fevereiro de 2010.

O PIB registou uma redução homóloga de 2,4% em volume no primeiro trimestre de 2020, após um crescimento de 2,2% no trimestre anterior, com o contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB a ser negativa no primeiro trimestre (-1,4 pontos percentuais), após ter sido positivo no trimestre anterior, devido à diminuição mais intensa na exportação de bens e de serviços do que na importação. Mas também a procura interna registou um contributo negativo (um ponto percentuais), o que sucedeu pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, graças à diminuição do consumo privado e do investimento

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