Investimento imobiliário comercial atinge novo máximo de 1,7 mil milhões no semestre, apesar da pandemia

Este valor representa um crescimento de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, os efeitos da pandemia fizeram-se sentir no último trimestre com quebras de 88%, o que significou uma perda de 87,5 milhões de euros.

Cristina Bernardo

Apesar do impacto provocado pela pandemia da Covid-19, o setor imobiliário acabou por registar um novo máximo histórico com um investimento de 1.670 milhões no primeiro semestre de 2020. Os dados foram revelados no último “Market Update” da consultora Cushman & Wakefield.

Este valor representa um crescimento homólogo de 50% que se encontra distribuído por 27 operações, com especial destaque para a venda de 50% da joint-venture Sierra Prime pela Sonae Sierra e APG à Allianz Real Estate e Elo, por cerca de 800 milhões de euros.

Por outro lado, o último trimestre refletiu com maior preponderância os efeitos da pandemia, tendo-se verificado uma quebra de 88%,o que significou uma perda de 87,5 milhões de euros.

Em termos de investimento estrangeiro observou-se uma diminuição para os 71%, refletindo praticamente um triplicar do capital nacional face ao mesmo período de 2019, para os 491 milhões de euros. Olhando para os diversos segmentos, o retalho atraiu 56% do capital investido, seguido pelo escritórios (21%), com realce para a venda do portefolio PREOF pela Finsolutia à Cerberus por um montante entre os 150 e 170 milhões de euros e a recente aquisição (para ocupação própria) das Natura Towers pela Cofidis por 46 milhões de euros. Já a hotelaria captou 18% do capital.

Analisando os segmentos de forma mais detalhada, os escritórios registaram na Grande Lisboa uma quebra homóloga de 23% em termos de volume de absorção. Ainda assim, foram transacionados 84.400 m2, distribuídos por 57 operações, verificando-se um novo record histórico de área média transacionada, com 1.480 m2. Já no Grande Porto, registou-se uma absorção semestral de 28.400 m2, um crescimento de 38% face a 2019. Com 24 negócios, a área média transacionada aumentou para os 1.180 m2.

No retalho foram registados no primeiro semestre cerca de 150 negócios, uma quebra significa de 64% face a 2019, sendo que no segundo trimestre, se verificaram apenas 40 aberturas (-82%). O comércio de rua representou 69% da procura, seguido pelos conjuntos comerciais com 18% das novas aberturas. O setor da restauração foi o mais ativo, com 62% do número de operações.

O estudo da consultora imobiliária aponta para uma retoma gradual na procura e nas negociações por parte dos investidores, em particular na logística e escritórios e nos segmentos core e core+, sendo que as estimativas de volume total de investimento para o final este ano se situam na ordem dos 2.500 milhões, o que poderá representar uma quebra homóloga de 20%.

Face a este cenário, o estudo indica que as yields prime corrigiram em alta, nomeadamente para os 4,10% em escritórios, 4,25% no comércio de rua, 5,00% em centros comerciais e 6,10% em industrial, refletindo um aumento entre os 10 e os 25 pontos base (p.b) face ao trimestre anterior.

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