Investimento público atinge mínimo desde 1960

Investimento público não chegou aos 2% do PIB e Portugal é o quarto país com menos investimento público da UE.

Cristina Bernardo

O peso do investimento público português no Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 foi o mais baixo de sempre, de acordo com dados da Associação de Empresas de Construção e Obras Publicas e Serviços (AECOPS). No ano passado, o investimento ficou nos 3,41 mil milhões de euros, o que representa uma diminuição de 16,5% em relação a 2015.

Em relação ao PIB, o investimento público representou 1,8% do total, o valor mais baixo desde que há registo nas bases europeias, ou seja, 1960. Em termos relativos, o peso do investimento público caiu meio ponto percentual e 2,2 pontos percentuais no total do investimento.

“Através da redução do investimento público, o Estado travou o relançamento do setor numa altura em que o imobiliário e o setor privado davam claros sinais de recuperação, contribuindo, assim, decisivamente para a degradação da atividade da construção”, refere o relatório da associação.

Este ano, espera-se que a situação se inverta. O Orçamento do Estado para 2017 prevê um aumento um aumento do investimento público de 21,5% em relação ao ano passado, em linha com os parâmetros do programa europeu Portugal 2020. “Os seus efeitos deverão repercutir-se favoravelmente na Construção e permitir, por fim, a tão desejada recuperação do setor”, acrescenta.

Portugal é ainda o quarto país da União Europeia (UE) com menor investimento público, apenas atrás de Espanha, Chipre e Irlanda. A média do peso do investimento público para os 28 países da UE é de 2,9% e a média da zona euro é 2,7% do PIB. A liderar a lista está a Hungria com um investimento público superior a 6%, enquanto a Irlanda está na fecha a lista com menos de 2%.

Relacionadas

18,1 mil milhões de euros investidos no fecho de 2016

Apesar de 2016 ter sido positivo para o mercado imobiliário português, ficou aquém do que se perspetivava no início do ano.

Cada euro a mais de consumo privado em 2013 teria aumentado PIB em 74 cêntimos

Números são do INE e dizem respeito ao consumo privado.

Estádios e barragens vão pagar IMI com base no valor do terreno e custos de construção

Barragens e estádios de futebol vão passar a ser tributados com base em fórmula que considera o valor do terreno acrescido dos custos de construção.
Recomendadas

Carga fiscal em Portugal subiu para 35,4% do PIB em 2018

A carga fiscal em Portugal subiu dos 34,3% do PIB em 2017 para os 35,4% em 2018, o valor mais elevado desde 2000, acima da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Metade das rendas do programa de rendas acessíveis estão abaixo dos 500 euros

O Governo espera dentro de dois anos que 20% dos contratos de arrendamento firmados serão feitos no âmbito do PAA. A maioria dos contratos estão a ser assinados em Lisboa, diz a tutela.

Portugal cresce acima da zona euro que estabilizou no terceiro trimestre

A contribuir para esta evolução esteve o aumento de 0,5% do consumo das famílias na zona euro e na União Europeia a 28, enquanto o investimento avançou 0,3%, uma queda abrupta após ter aumentado 5,7% na zona euro e 4,3% na UE28 no trimestre anterior.
Comentários