IRS: famílias abatem em média 802 euros com deduções

Em 2017, aumentou perto de 6% os benefícios fiscais que permitem aos contribuintes, que declarem as despesas, ter um desconto no IRS. As famílias conseguiram abater ao imposto perto de 200 milhões. Estatísticas da AT revelam que deduções à coleta estão a crescer menos face a anos anteriores. Contribuintes abatem em média 802 euros ao IRS.

Cristina Bernardo

Em 2017, deduções à coleta aumentaram 5,5% para 3,8 mil milhões de euros. Despesas gerais e familiares e deduções à coleta de despesas de saúde representam a maior fatia com perto de metade do desconto no IRS. Só o montante das despesas do dia a dia que podem ser abatidas ao imposto das famílias ascendeu a 1,4 mil milhões de euros. Contas feitas, cada família teve uma dedução média de 802 euros a abater na fatura de imposto a pagar.

Os números são revelados pela Autoridade Tributária (AT) na divulgação das estatísticas de IRS entre 2016 e 2017 que dá conta de um total de 3,8 mil milhões de euros de deduções à colecta em 2017, mais 190 milhões de euros face ao ano anterior. O crescimento de 5,5% das deduções à coleta é, no entanto, maior face ao período entre 2015 e 2016 em que aumentaram mais do dobro: 13,3% com um acréscimo de abatimentos de 418 milhões.

O menor crescimento das deduções à colecta é registado , em 2017, com o fim da fórmula de cálculo do IRS introduzida em 2015, que tinha em conta um quociente familiar (tinha como  objetivo permitir que os rendimentos de uma família passassem a ser divididos por todos os membros, incluindo dependentes e ascendentes), e acabou por dar lugar às deduções fixas por filho, que existiam previamente. Estas deduções fixas aumentaram como foi o caso da  dedução à coleta fixa atribuída por referência a cada dependente, de 325 para 600 euros, e por cada ascendente que viva efetivamente em comunhão de habitação com o contribuinte, de 300 para 525 euros, desde que aquele não aufira rendimento superior à pensão mínima do regime geral.

Com esta alteração regressou, assim, a fórmula de cálculo do quociente conjugal (embora o termo continue a ser quociente familiar), em que o rendimento do agregado familiar é dividido apenas pelos dois membros do casal.

Dos 3.763 milhões de euros de deduções à colecta registadas em 2017, segundo a AT, 37%   (1.381 milhões) respeitam à dedução relativa a despesas gerais e familiares (que, desde 2015, substituiu a dedução fixa personalizante dos contribuintes), 26% referem-se às deduções personalizantes relativas aos dependentes, ascendentes, afilhados civis e dependentes em guarda conjunta, num total de 971 milhões de euros; e 24% às despesas com saúde, habitação e educação que totalizaram os 900 milhões de euros.

 

Contribuintes abatem em média 802 euros ao IRS

As estatísticas da AT revelam que 4.692.080 contribuintes beneficiaram de 3.763 milhões de euros, o que se traduz numa média de deduções à coleta de 802 euros. Só as despesas gerais e familiares somaram 1.381 milhões de euros que abateram ao IRS através de  faturas de água, luz e gás ou compras de vestuário, eletrodomésticos, mobiliário e supermercado. Em causa estão todas as despesas que não se enquadram nas deduções de educação, saúde, imóveis, lares, pensões de alimentos e exigência de fatura entram nesta dedução. Podem ser abatidos ao IRS 35% destes gastos, até o limite máximo de 250 euros por sujeito passivo. Um casal deduz 500 euros.

Segundo a AT, este tipo de dedução à colecta registou um aumento de 4,6%, passando de 1.361 milhões, em 2016, para 1.381 milhões de euros em 2017. Uma evolução que contrasta com a quebra de 0,5% registada neste tipo de deduções em 2016.

O número de agregados que beneficiou destas deduções passou de 4.183.800 para 4.338.150. Ou seja, mais 154. 350 contribuintes beneficiaram do abatimento de imposto através das despesas gerais e familiares.

 

Saúde abate em média 124 euros

Já com as despesas de saúde, as famílias portuguesas abateram ao imposto a pagar 451 milhões de euros, mais 7,2% face ao ano anterior. Ou seja, mais 30 milhões de euros foram abatidos ao valor do IRS através as faturas de despesas de saúde que também dão direito a dedução no IRS, independentemente da taxa de IVA. Nesta categoria, é possível deduzir 15% dos valores pagos, até um limite máximo de 1.000 euros, por agregado familiar.

A dedução de saúde abrange um conjunto alargado de despesas. Consultas, intervenções cirúrgicas, internamentos hospitalares, tratamentos, medicamentos, próteses, aparelhos ortodônticos, óculos (incluindo a armação) e seguros de saúde são alguns exemplos.

Nas deduções à colecta das despesas de saúde, o valor médio que cada agregado familiar manteve-se praticamente inalterável: passou de 121,4 euros em 2016 para  124, 2 euros em 2017.

No mesmo período, o número de agregados que beneficiou destas deduções passou de 3.466.594 para 3.630.550 (mais 163.956 famílias).

Ler mais
Recomendadas

Apenas 21% dos portugueses reforçaram contas poupança no último ano, diz Cetelem

Os hábitos de poupança dos portugueses mantiveram-se no último ano. “Estarem atentos a promoções ou levar almoço para o trabalho são pequenos gestos que fazem já parte do dia a dia de muitos portugueses”, acrescenta o estudo.

Quem são os beneficiários da vacina contra a gripe

Algumas pessoas têm direito à vacina da gripe, disponibilizada gratuitamente no Serviço Nacional de Saúde, sem necessidade de receita médica. Para a receberem basta dirigirem-se aos centros de saúde.
gasolina_combustiveis_greve_motoristas

Gasolina e gasóleo descem na próxima semana

Depois de na semana passada o preço do gasóleo permanecer inalterado, esta semana desce 0,5 cêntimos, acompanhado por uma queda de 1,5 cêntimos no preço da gasolina. Saiba onde encontrar os postos mais económicos.
Comentários