Israel voltou ontem às urnas mas, segundo a imprensa do país, o impasse que resultou do ato eleitoral anterior, em setembro do ano passado, vai manter-se – mesmo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenha reforçado a sua posição face ao seu adversário mais direto, o Kahol Lavan de Benjamin Gantz.
Com os resultados ainda não totalmente fechados, Netanyahu e o seu poartido, o Likud, deverá conseguir agregar 36 ou 37 lugares dos 120 disponíveis no Knesset, o parlamento israelita. O partido tem neste momento 38 lugares. O Kahol Lavan deverá atingir apenas 32 ou 33 lugares, abaixo dos 35 que tinha até ontem.
Em terceiro lugar ficou a Lista Conjunta dos partidos israelitas árabes (com 14 assentos) – com quem, desta vez, ninguém parece estar disposto a negociar uma maioria para governar. Na prática, aliás, o país vai manter-se ingovernável: só muito dificilmente a Likud conseguirá agregar em seu torno mais de 60 votos.
Mas há ainda uma esperança. É que, como a imprensa israelita chama a atenção, Benjamin Netanyahu, acossado pela Justiça e internacionalmente desconsiderado em várias regiões (União Europeia incluída) dá mostras de uma capacidade de resistência que muitos analistas consideravam impossível.
Ao contrário, Benjamin Gantz parece ter atingido o limite das suas forças nas eleições de setembro passado – e depois de não ter vencido nem ter conseguido juntar uma maioria (apesar de ma altura ainda negociar com os árabes israelitas que agora renegou), tudo indica que não mais atingirá uma posição que possa colocar Netanyahu em estado de alerta.
Em aberto volta a estar a hipótese de os dois partidos formarem uma grande cologação de centro-direita que retire o país da ingovernabilidade. E causa pode estar um acordo entre ‘os dois benjamins’ segundo o qual Netanyahu liderará um governo de coligação com Gantz até à altura em que, no próximo ano, o atual presidente, Reuven Rivlin, deverá ser substituído. Nesse quadro, Netanyahu passaria de primeiro-ministro para prfesidente do país – um cargo que não tem grande relevância nem intervenção política, mas que lhe permitiria manter a imunidade face às acusações que o Ministério Público israelita já lançou contra ele.

