Israel quer criar cidades só para judeus

É uma espécie de gueto, mas ao contrário: podem de lá sair, mas não deixam ninguém lá entrar. O parlamento israelita debate a criação de cidades segregadas apenas para judeus.

REUTERS/Dan Balilty
Ler mais

A Comissão Constitucional do Parlamento de Israel recebeu esta terça-feira uma carta aberta do chefe do Estado hebreu na qual é pedido que uma medida claramente discriminatória – e em termos históricos tão anacrónica que é difícil de explicar – não venha a transformar-se em lei.

O presidente Reuven Rivlin, figura protocolar e com quase nenhuma autoridade, abordou os deputados que debatem a criação de cidades judaicas segregadas, só para judeus e com a exclusão de todas as outras raças. “Estamos dispostos, em nome de uma visão sionista, a tolerar a discriminação e a exclusão com base na origem?”, pergunta na sua carta enviada ao Knesset, o parlamento judaico.

O controverso conceito urbano prevê que “o Estado pode autorizar uma comunidade de pessoas que tenham a mesma religião ou identidade nacional a manter seu status como um acordo separado”. Ari Dichter, deputado do Likud (partido liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu) e autor do projeto, argumenta que a iniciativa visa “permitir ao povo sionistas viver sem ter a seu lado pessoas que não são dispostas a defender as fronteiras do país”. Ou seja, os árabes israelitas – palestinos que permaneceram em Israel após a sua criação em 1948 e que representam cerca de um quinto dos 8,5 milhões de habitantes do país.

“O projeto é suscetível de prejudicar o povo judeu em todo o mundo e no Estado de Israel, e pode até ser usado como uma arma pelos nossos inimigos”, alertou o chefe de Estado.

O ministro da Segurança Pública, Gilad Erdan, descreveu a mensagem de Rivlin aos deputados como “interferência no processo legislativo”, mas o presidente não está sozinho: o procurador-geral de Israel, Avihai Mandelblit, já alertou o Knesset para que se vai opor à criação de cidades exclusivos para judeus, considerando-as “inaceitáveis”.

Eyal Zandberg, um membro da equipa do procurador-geral, confirmou ao Haaretz, um dos principais jornais israelitas, que o projeto representou “uma clara discriminação”: “as pessoas das comunidades vão poder pendurar cartazes a dizer ‘entrada proibida aos não-judeus’”. O advogado sénior do parlamento, Eyal Yinon, também disse aos deputados que o texto “se desvia significativamente do legalmente exigido”: “não encontramos equivalências em nenhuma outra Constituição do resto do mundo”.

Setenta anos após a sua constituição, Israel ainda não possui uma Constituição formal, sendo a Lei do Estado Nacional que cumpre essa função e onde se pode ler que Israel é o “lar nacional do povo judeu”. É aqui que o governo de Netanyahu, uma coligação de seis partidos considerada a mais de direita da história do Estado judeu, se inspira para promover tão bizarra lei.

Recomendadas

Rio de Janeiro multa bares e restaurantes que oferecem palhinhas de plástico

As autoridades do Rio de Janeiro começaram hoje a multar os cafés, restaurantes e bares de praia da emblemática cidade brasileira que oferecem palhinhas de plástico aos clientes. ”Estamos na vanguarda de uma grande luta em defesa do meio ambiente”.

Síria: governo e oposição apoiam o acordo entre a Rússia e a Turquia

Damasco diz que o pacto testará a influência de Ankara em Idlib, enquanto os líderes da oposição a al-Assad no exílio celebram uma vitória contra o ditador.

Coreia do Norte aceita presença de especialistas estrangeiros no desmantelamento nuclear

Anúncio do líder norte-coreano, Kim Jong Un, em conferência de imprensa conjunta com presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, dá mais um passo na revitalização das negociações com os Estados Unidos da América.
Comentários