Zuma pressionado para sair deve falar esta quarta feira. ANC prepara-se para moção de censura

O ANC, no poder na África do Sul desde 1994, já anunciou que apresentará quinta feira uma moção de censura no Parlamento se, até lá, o presidente sul-africano não se demitir.

Florescimento da África do Sul

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, está a ser pressionado para abandonar o cargo, após várias acusações de corrupção. A situação está a ser avaliada pelo ANC – Congresso Nacional Africano, sendo que Zuma só se pronuncia esta quarta feira.

O ANC, no poder na África do Sul desde 1994, já anunciou que apresentará quinta feira uma moção de censura no Parlamento se, até lá, o presidente sul-africano não se demitir.

Desde dezembro de 2017, quando um relatório de Thuli Madonsela, que ocupa um cargo idêntico ao de provedor de Justiça, foi divulgado, apontando para a existência de corrupção na cúpula da liderança do país, que Jacob Zuma está aser alvo de pressão para abandonar o cargo.

O período de incerteza levou o ANC a pedir a demissão de Zuma na terça-feira, lembrando, contudo, que se trata de “um camarada” e que “o Presidente Jacob Zuma comportou-se como um líder do ANC”, segundo o secretário-geral à televisão sul-africana SABC.

Zuma terá recusado demitir-se, mas está poderá surgir uma comunicação oficial esta quarta-feira. “Tenho a certeza que o Presidente responderá amanhã (…) Sei que o Presidente vai responder amanhã”, quarta-feira, declarou Magashule numa conferência de imprensa em Joanesburgo.

“O NEC (Comité nacional executivo, órgão de decisão do ANC) decidiu lembrar o camarada Jacob Zuma”, declarou Magashule.

O Presidente Zuma não é obrigado constitucionalmente a aceitar a decisão do seu partido e se não o fizer o ANC pode pedir a votação de uma moção de censura.

Em caso de demissão do Presidente, o lugar será ocupado pelo vice-Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, presidente do ANC, confirmou Magashule.

O caso “Zuptas”

Em condições normais, o mandato de Zuma terminaria em 2019, mas o facto de estar associado a numerosos escândalos de corrupção, que afetam negativamente a imagem do ANC, tornaram a permanência na presidência questionável.

“Nós estamos determinados a restaurar a credibilidade das instituições públicas, criar a estabilidade económica e relançar a economia com urgência”, adiantou Magashule na terça-feira.

São vários os casos, sendo o mais mediático a relação entre a família Gupta e o presidente sul-africano. Na sequência do relatório de Thuli Madonsela, as relações entre a família Zuma e a família Gupta – três irmãos empresários de origem indiana radicados na África do Sul – tornou-se alvo de escrutínio.

Desde 2007, quando Zuma assumiu a liderança do ANC, depois de derrotar Thabo Mbeki, que se registaram ligações diretas entre empresas Gupta e o Estado da África do Sul, sobretudo através da concessão de contratos públicos e sobretudo no setor mineiro – a África do Sul é o principal produtor de ouro, platina e crómio.

A relação entre as duas famílias é tão próxima, que na África do Sul já são apelidados de “Zuptas”. Coincidência ou não, a mulher e a filha de Jacob Zuma estão empregadas nas empresas Guptyas.

Pravin Gordhan, antigo ministro das Finanças do país, já veio dizer que as empresas Gupta já receberam entre 9 a 12 milhões d euros com contratos celebrados com o estado.

Há ainda o caso de Mcebuisi Jonas, antigo ministro-adjunto das Finanças, que veio a público denunciar ter sido convidado por Duduzane Zuma, filho do presidente, e dois irmãos Gupta para ser ministro a troco de cerca de 37 mil euros.

Desde 2016 que quer Zuma quer a família Gupta negam quaisquer ilegalidades, afirmando-se, ambos, vítimas de uma “caça às bruxas”.