PremiumJosé Costa Pinto: “É o momento de deixar a presidência da Associação Nacional de Jovens Advogados Portugueses”

José Costa Pinto anuncia ao Jornal Económico que não se vai recandidatar à presidência da ANJAP, cujas eleições serão em dezembro. Nesta entrevista fala ainda sobre o estado da Justiça em Portugal.

Prestes a finalizar este mandato, qual é o balanço que faz à frente da Associação Nacional de Jovens Advogados Portugueses (ANJAP)?

Acima de tudo sinto que foram quatro anos de muito empenho, sempre focado em fazer renascer a maior e mais antiga associação nacional de jovens advogados portugueses, procurando fazê-la chegar ao maior número de advogados possível, reorganizá-la e recuperar a sua implantação nacional. Procurámos neste percurso dar voz a um conjunto de preocupações relacionadas com os primeiros anos na advocacia, ao mesmo tempo que procurámos chamar para a primeira linha os jovens advogados. Acredito que é preciso puxar pelos mais jovens e combater a ideia que juventude é sinónimo de incompetência ou falta de qualificações e procurei que o nosso trabalho na ANJAP refletisse isto mesmo. Olhando em perspetiva, e não querendo ser juiz em causa própria, não nego que me acompanha um sentimento de dever cumprido e um sentimento de enorme satisfação por sentir que, em conjunto com a minha equipa (mais de 70 advogados em todas as áreas dos conselhos regionais da Ordem dos Advogados), demos um contributo sério, empenhado e responsável para os jovens advogados portugueses e, desse modo, para a advocacia portuguesa.

Quais os principais problemas dos jovens advogados e da profissão?

Se tiver que escolher um “problema principal” ou o maior desafio, como lhe prefiro chamar, não tenho dúvidas em dizer que é o de os jovens advogados se terem de afirmar numa profissão cuja área de ação evolui em sentido contrário ao número de profissionais que a integra, com a agravante de terem que lidar com um quadro normativo de acesso à profissão muito desfavorável (basta pensar, por exemplo, em temas como as regras de estágio, mas também a falta de regulação do exercício de advocacia entre advogados) e com um conjunto de custos de acesso e permanência muito elevados (como sejam custos de estágio, de instalação, de quotas e sobretudo de comparticipações para a Caixa de Previdência). Acima de tudo isto, temos que considerar igualmente um elemento cultural de uma tendente – embora não crescente, assim acredito – preferência dos cidadãos e das empresas por advogados a quem reconhecem mais experiência por terem mais anos de exercício da profissão. Alimenta-se, ainda, muito na nossa sociedade uma certa ideia de que a idade é um fator de experiência e qualidade, desconsiderando em sentido contrário as características próprias das gerações mais novas que, muitas vezes, são na verdade aquelas que podem fazer a diferença em determinadas situações.

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor.

Recomendadas

“Dados pessoais podem ser um produto tóxico para quem incumpra com o RGPD”

Até 2020 vai entrar em vigor o Regulamento e-Privacy e o Código das Comunicações Eletrónicas, o que irá obrigar as empresas a novos ajustes e alterações.

Sérvulo estabelece parceria com sociedade de advogados em Cabo Verde

A MJN Advogados, de Maria João de Novais, é o novo escritório parceiro da Sérvulo & Associados.

Conselho Regional vai deixar de ser “suporte do bastonário”

A advogada Ana Sofia de Sá Pereira, que tem tudo preparado para avançar com uma candidatura ao Conselho Regional do Porto, apoia uma eventual candidatura de António Jaime Martins contra Guilherme Figueiredo.
Comentários