Jungle Creations: A ilustre desconhecida dos vídeos virais

Não conhece a Jungle Creations? Mas de certeza que já viu os seus vídeos. Com apenas três anos de vida, é a responsável pelos maiores vídeos virais da Internet, com mais de quatro mil milhões de visualizações por mês e oito milhões de libras de receita esperados este ano. Jamie Bolding, o seu fundador, quer crescer ainda mais…

Foi a partir de uma ideia simples que Jamie Bolding começou um negócio multimilionário. No seu quarto, escreveu num papel a ideia para um vídeo: “20 pessoas que conhecerá na semana do caloiro”. A partir daqui nasceu a Jungle Creations, que atualmente consegue cerca de quatro mil milhões de visualizações mensais dos conteúdos que publica no Facebook. Para ter uma ideia, a Walt Disney, a mais contada entre as empresas tradicionais de entretenimento, consegue apenas metade deste total.

Pouco mais de três anos depois da ideia original, a Jungle Creations (JC) tem 10 canais sociais, que libertam diariamente entre 100 a 150 dos vídeos mais partilhados da Internet, e marcas de topo, como a Oreo, pedem à JC que crie os seus conteúdos virais. O canal porta-estandarte é o Viral Thread, a que se juntam os restantes nove, incluindo o Twisted, que se especializa em comida; o Nailed It, para o faça-você-mesmo; e o Game On, para desporto. Os conteúdos vão do ligeiramente perturbador “Veja como ficariam estes políticos com carrapitos” até a conteúdos sérios e com mensagem social – o vídeo mais visto de sempre da Jungle Creations é um monólogo de cinco minutos sobre a falta de educação criativa nas escolas, que já foi visto 250 milhões de vezes.

Ao site Mashable, Bolding diz que, quando começou o Viral Thread, em 2004, no apartamento da sua mãe, no Leste de Londres, “o algoritmo do Facebook era tão simples que um bom artigo rapidamente subia até à estratosfera”. Atualmente, as coisas estão ligeiramente diferentes. O algoritmo que escolhe o que aparece no seu feed de notícias é mais sofisticado, mas o mesmo aconteceu com a operação da JC. A empresa ocupa agora um escritório no Leste de Londres, onde a equipa cria ou pesquisa os conteúdos mais partilháveis na Internet.

O mesmo aconteceu com os números. Se, no início, a JC fazia algumas libras através de anúncios Google no seu website, aquele primeiro vídeo fez os valores subir até às 600 libras por dia (quase 670 euros). “Foi de loucos”, diz Bolding, cuja empresa se apresta para conseguir receitas de perto de oito milhões de libras este ano (cerca de 8,9 milhões de euros).

Nestes três anos de vida, a equipa utilizou de forma exemplar os seus conhecimentos sobre o que faz um vídeo ser viral, avaliando rios de dados sobre tempos de visualização, número de likes e, mais importante, número de partilhas. Um dos vídeos de maior sucesso da empresa, partilhado mais de 150 milhões de vezes, é sobre um airbag para capacete que é acionado quando cai. “Era um produto estranho, feito por uma empresa sueca chamada Hovding. As vendas deles quadruplicaram, ficaram sem stock e o preço das suas ações duplicou numa semana”, diz Bolding. “Só mostramos produtos interessantes, não são propriamente acordos de publicidade”, acrescenta.

Estupidamente baratos
Atualmente, a JC cobra um mínimo de 20 mil libras (pouco mais de 22 mil euros) para realizar um vídeo. Se tiver menos de um milhão de visualizações, o cliente recebe outro vídeo, gratuitamente. “Estamos no topo mundial das companhias de media de Facebook. As receitas de 8 milhões de libras não representam o poder, alcance e influência que temos nas redes sociais”, continua Bolding em declarações ao Mashable. “Somos estupidamente baratos. Mas não será assim para sempre”.

O projeto da JC para o futuro passa por convencer as empresas a parar de gastar rios de dinheiro com “criativos da treta da era do material impresso”, passando a levar o seu negócio á JC, que “lhe dará milhões de visualizações e fará conteúdo realmente bom a um preço competitivo”. E as ambições da JC vão ainda mais longe. Recentemente lançaram o piloto de uma minissérie com episódios de cinco minutos, estando outra a caminho. “Qeum sabe se não vamos fazer um filme?”, pergunta Bolding de forma bem séria. “Temos um público tão vasto que podemos usar as marcas que criámos para fazer eventos, festivais, livros de cozinha, séries de TV… aventais até!”, diz. “E com a indústria do entretenimento é possível fazer muito mais”, acrescenta.

O futuro apresenta-se risonho para a JC por mais motivos. O Facebook, que tem sido criticado por não partilhar as receitas que gera com aqueles que criam os conteúdos que atraem as pessoas para os sites, fez uma alteração importante à sua política de publicidade. Em fase de lançamento está um modelo que permitirá aos criadores de conteúdos, como a JC, colocar anúncios nos seus vídeos a paritr dos 20 segundos, desde que exista um hiato de pelo menos dois minutos entre cada anúncio. Os criadores ficam 55% das receitas geradas desta forma, cabendo o resto ao Facebook.

“[Este modelo] vai mudar completamente a forma como eles [Facebook] tratam os fornecedores de conteúdos. Vão precisar de nós para criar conteúdo que lhes dê dinheiro a ganhar”, conclui Bolding. Esta será também uma forma importante de a Jungle Creations monetizar os milhares de milhões de visualizações que consegue, o que quer dizer que os 8 milhões de libras que fará este ano poderão crescer substancialmente nos próximos tempos.

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