Kind Coin une solidários e instituições num ‘clique’

Nova plataforma pretende unir tecnologia à solidariedade, enquanto procura dar respostar às necessidades específicas das associações.

Cristina Bernardo

Ajudar instituições de solidariedade social a partir do telemóvel e seguir o rasto da doação já é possível através da nova plataforma Kind Coin. Criada por Maria Vieira da Silva, a aplicação permite aos utilizadores terem maior acompanhamento da ajuda que dão e às instituições receberem o apoio específico que precisam.

“O que é verdadeiramente fantástico nesta aplicação é que todas as pessoas que fizerem um donativo vão poder acompanhar o valor que doaram – a instituição para a qual esse valor foi destinado, quando o foi e em que tipo de produto se traduziu a oferta. As notificações são emitidas em tempo real na aplicação, o que permite ser absolutamente transparentes em todo o processo”, disse a fundadora ao Jornal Económico.

A Kind Coin é uma plataforma que une benfeitores que compram as moedas virtuais – cada kind coins equivale a um euro e o pagamento é feito por Paypal ou Stripe – e escolhem o estabelecimento comercial onde querem que esse valor fique disponível como saldo para uma instituição de solidariedade social.Uma das novidades que traz é que abrange vários estabelecimentos comerciais, incluindo não só supermercados, mas também farmácias, papelarias ou lojas de roupa. A beneficiária última desses bens é escolhida através de um sistema de geolocalização para, segundo a fundadora, garantir uma distribuição justa.

“O nosso objetivo é aproximar as instituições de solidariedade das empresas e do cidadão”, afirmou. A seleção da instituição que é convidada a ir trocar a Kind Coin por géneros em estabelecimentos comerciais é sempre em função da proximidade geográfica. A mais próxima é contactada para comprar bens até 100 euros, sendo que a partir desse valor passa a ser rotativo para as instituições seguintes em termos de proximidade.

A startup começou com um investimento de 40 mil euros e está registada como empresa de intermediação. “A Kind Coin é uma empresa, uma sociedade por quotas e pretende promover a economia local e a solidariedade social”, diz a gerente da plataforma, que tem dois sócios, mas que não querem ser conhecidos. Não tem benefícios fiscais, nem a transação dá direito a deduções fiscais aos doadores. Por cada doação, a empresa retém 5% do valor.

Não só Kind Coins estão em circulação na plataforma, mas também bens em segunda-mão. Através da aplicação, os utilizadores podem integrar a pool de partilha e a pool de troca, permitindo-lhes fazer chegar os bens a quem mais precisa. As instituições são notificadas quando o utilizador coloca na plataforma o item para doar. Para isso, o utilizador tem de fotografar o bem que quer doar, inserir a imagem no seu perfil e depois a plataforma notifica as instituições da região. A entrega do bem é combinada extra-plataforma entre o doador e a instituição. Esta pool de troca serve também para que as instituições possam trocar bens entre si.

Os próximos dois meses vão ser de testes, mas até março, Vieira da Silva estima contar com 1.500 utilizadores da plataforma. Espera também operar no país inteiro, apesar de estar neste momento mais focada em Guimarães e Lisboa, por uma questão de proximidade no estabelecimento de parcerias.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.

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