Assinalar o Dia do Empreendedorismo Feminino, 19 de novembro, é, mais do que uma celebração, um momento para refletir sobre o caminho que temos percorrido – e o que ainda falta percorrer – em direção a uma liderança verdadeiramente inclusiva. É também uma oportunidade para olharmos para o tema com pragmatismo: o objetivo não é que existam mais mulheres em cargos de liderança porque são mulheres, mas porque têm as competências, a visão e o mérito para estar lá.

Em Portugal, continuamos a assistir a progressos importantes, mas desiguais. As mulheres representam hoje uma parte significativa do talento qualificado no mercado de trabalho, mas ainda estão sub-representadas nos lugares de topo. Acredito que o avanço sustentável não depende apenas de quotas ou de medidas corretivas, mas de culturas empresariais que promovam mérito, confiança e flexibilidade, que considero serem pilares fundamentais para qualquer organização moderna.

Em muitas organizações com presença global, a diversidade é uma realidade que se traduz em resultados. Equipas diversas tomam decisões mais equilibradas, têm maior capacidade de inovação e refletem melhor os consumidores que servem. Na Mondelez Portugal, cerca de 70% dos cargos de liderança são atualmente ocupados por mulheres – um reflexo concreto desse compromisso com a diversidade e a inclusão. Mas diversidade não é apenas uma questão de representatividade. É uma alavanca de desempenho empresarial. E é por isso que devemos olhar para a liderança feminina não como um fim em si mesmo, mas como parte de um modelo mais amplo de liderança inclusiva e sustentável.

No caso das mulheres, há um tema que surge frequentemente nas conversas sobre progresso profissional: o equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional. Este não é – ou não deveria ser – um desafio exclusivamente feminino. É um desafio de gestão contemporânea, transversal a todos os líderes que querem construir equipas saudáveis, produtivas e motivadas. A pandemia deixou claro que produtividade e bem-estar não são forças opostas; pelo contrário, caminham lado a lado.

Liderar de forma equilibrada é, hoje, uma competência essencial. Requer empatia, mas também rigor; capacidade de escuta, mas igualmente foco em resultados. E é precisamente nessa conjugação de traços, tradicionalmente vistos como “femininos” ou “masculinos”, que reside a força das lideranças modernas.

Em Portugal, ainda há um caminho a percorrer. Mas o progresso não virá apenas de quotas ou políticas. A igualdade de género constrói-se desde cedo. Deve começar na educação e concretizar-se nas empresas que valorizam o talento sem barreiras. Enquanto líderes, o nosso papel é garantir que cada profissional encontra espaço para crescer e contribuir plenamente. Liderar é inspirar confiança e criar condições para que outros possam também liderar. E isso, felizmente, não tem género.