Lucro dos CTT afundou 56% em 2017 com queda do tráfego e aumento de custos

Operador postal foi afetado por uma descida de mais de 5% no correio endereçado, provisões para a optimização de recursos humanos e o fim de um acordo com a Altice.

Miguel A. Lopes/Lusa
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O lucro líquido reportado dos CTT tombou 56,1% em termos homólogos para 27,3 milhões de euros no ano passado, com um aumento ligeiro nos rendimentos a não ser suficiente para compensar subidas nos gastos operacionais e na provisões.

A empresa liderada por Francisco Lacerda explicou, em comunicado divulgado no site da CMVM, que o EBITDA – resultados antes de juros, impostos,  depreciação e amortização – recuou 20,5% para 81,1 milhões de euros, enquanto o EBIT afundou 48,2% para 47,1 milhões.

As descidas tiveram origem fundamentalmente em (i) 2017 (queda do tráfego de correio, provisão de gastos relativos a otimização de recursos humanos, entrada da Transporta no Grupo CTT) e (ii) em 2016 (acordo com Altice e significativa reversão de provisões).

Os rendimentos operacionais subiram 2,5% para 714,3 milhões de euros, “influenciado pela mais valia e os juros associados a venda dos imóveis da Rua de S. José em Lisboa (16,3 milhões).

O Caixa BI previa um resultado líquido de 30,6 milhões de euros, receitas de 691,4 milhões e um EBITDA de 79,8 milhões.

Em relação ao tráfego, adiantou que o de correio endereçado registou decréscimo de 5,6% “atenuado, na evolução dos rendimentos, pelo aumento de preços e pela evolução positiva do mix de produtos (crescimento do correio registado e internacional) que induziu um aumento de 5,1% na receita media por objeto”.

O tráfego de Expresso e Encomendas cresceu 21,5% em Portugal e 26,1% em Espanha com crescimento das receitas de, respetivamente, 7,7%1 e 18,2%.

Em relação ao Banco CTT, a empresa explicou que atingiu cerca de 285 mil clientes e 226 mil contas de depósitos a ordem. A captação de depósitos ultrapassou os 619 milhões e o valor de crédito a clientes atingiu 79 milhões suportado no crédito a habitação lançado em 2017.

Os gastos operacionais recorrentes totalizaram 608 milhões, mais 5,6% em relacao ao ano anterior incluindo 6,2 milhões no Banco CTT e 10,3 milhões da Transporta.

Excluindo estes efeitos, os gastos aumentaram cerca de 17 milhões, “estando uma parte relevante relacionada com os gastos variáveis associados ao crescimento do tráfego de Expresso e Encomendas e, na área de Correio, com os aumentos salariais negociados com os sindicatos, a contratação a termo utilizada para a adaptação operacional indispensável a integração das redes de distribuição e do Banco CTT na rede de lojas, o aumento dos preços da energia e dos combustíveis, as diferenças de câmbios desfavoráveis e os gastos com operadores estrangeiros.

Na sessão de hoje da bolsa portuguesa, o operador postal caiu 2,29% para 3,154 euros por ação.

 

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