Lucros do último trimestre de 2019 do Wells Fargo tombam mais de 50%

O banco sedeado em São Francisco fez uma provisão de 1,5 mil milhões para eventuais custos com processos judiciais o que fez aumentar as despesas não core em 17% no último trimestre. Os processos judiciais arrastam-se desde 2016, quando colaboradores do banco falsificaram milhares de contas para alcançarem os objetivos. CFO culpa ambiente de taxas de juro negativo para explicar queda nos lucros.

Os lucros dos últimos três meses de 2019 do banco norte-americano Wells Fargo derraparam 53% em termos homólogos para 2,87 mil milhões (2,58 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) – há um ano tinham-se fixado nos 6,06 mil milhões de dólares. Os lucros por ação ficaram nos 0,93 dólares se excluirmos os custos legais, mas ficaram abaixo das estimativas da Refinitiv, que previa um ganho por ação de 1,12 dólares.

No mesmo período, as receitas do Wells Fargo ascenderam a 19,9 mil milhões de dólares, ligeiramente abaixo dos 21 mil milhões registados no último trimestre de 2018.

O banco sedeado em São Francisco fez uma provisão de 1,5 mil milhões para eventuais custos com processos judiciais o que fez aumentar as despesas não core em 17% no último trimestre. Os processos judiciais arrastam-se desde 2016, quando colaboradores do banco falsificaram milhares de contas para alcançarem os objetivos.

Os três meses entre outubro e dezembro de 2019 marcam o primeiro trimestre da gestão do Wells Fargo liderada por Charles Scharf, o CEO que substituiu Tim Sloan em outubro do ano passado. Scharf disse, em comunicado que o “Wells Fargo (…) cometeu erros sérios e o meu mandato é fazer as alterações fundamentais e necessárias para reconquistar a confiança total e o respeito de todos os acionistas”.

Por seu turno, John Shrewsberry, CFO do Wells Fargo, apontou as baixas taxas de juro para explicar a queda dos lucros do banco. “Os lucros caíram no quarto trimestre principalmente devido ao impacto do contexto atual de baixas taxas de juro”, frisou Shrewsberry no comunicado. “Além disso, embora estejamos a investir o que é necessário para melhorar a gestão de risco, as nossas despesas foram muito elevadas e tornarmo-nos mais eficientes permanece uma das grandes prioridades”, adiantou o CFO.

Face ao último trimestre de 2018, as despesas aumentaram 415 milhões de dólares nos últimos três meses de 2019 para 15,6 mil milhões de dólares. Além da provisão de 1,5 mil milhões, o aumento das despesas deve-se ainda ao pagamento de benefícios devidos aos colaboradores do banco de 263 milhões e custos de manutenção.

O Wells Fargo apresentou os resultados trimestrais antes da abertura de Wall Street. Na sessão desta terça-feira, as ações do banco de São Francisco já perderam 3,11%, para 50,49 dólares.

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