Lusiaves inicia internacionalização em Espanha

Em entrevista exclusiva, o presidente do grupo revela que estão a ser estudadas várias oportunidades e mercados externos. O grupo da Figueira da Foz deverá fechar 2016 com 400 milhões de faturação.

A empresa portuguesa Lusiaves, especializada na produção de frangos, vai iniciar o seu processo de internacionalização por Espanha. Em entrevista exclusiva ao Jornal Económico, Avelino Gaspar, presidente da Lusiaves, revela que “estão a ser analisadas vários mercados e oportunidades”.

“No entanto, o mercado espanhol é uma das hipóteses mais fortes para instalarmos centro de distribuição e armazenagem e, eventualmente, transformação”, adiantou Avelino Gaspar.
Neste momento, as exportações do Grupo Lusiaves representam cerca de 10% da faturação do grupo.

“Atualmente exportamos produtos frescos, sobretudo, para mercados mais próximos como Espanha, França, Alemanha, Itália, Luxemburgo e Suíça”, explica Avelino Gaspar.
O Grupo Lusiaves deverá fechar o presente exercício com uma faturação acima dos 400 milhões de euros, o que representa um crescimento de 10% do volume de negócios face a 2015.
Por seu turno, o EBITDA da Lusiaves em 2016 deverá chegar aos 40 milhões de euros.

“A aposta do Grupo Lusiaves consiste em consolidar a liderança de mercado em Portugal e, em simultâneo, procurar aumentar o peso das exportações do grupo. A experiência além-fronteiras demonstra igualmente que a qualidade superior dos nossos produtos é reconhecida cada vez mais, o que nos transmite grande confiança no reforço desse peso exportador”, acredita este responsável do Grupo Lusiaves.

Avelino Gaspar acrescenta que “os principais mercados de produtos congelados estão em África, Ásia e América do Sul”.
No entender deste responsável, “o nosso objetivo é crescer em todos estes mercados, mas também afirmar-nos em novos mercados, sendo o Médio Oriente uma geografia interessante em termos de exportações e onde já temos as certificações necessárias para operar, nomeadamente a certificação Hallal”, exigida pela religião islâmica.
Há cerca de duas semanas, o Grupo Lusiaves anunciou o investimento de cerca de 200 milhões de euros nos próximos cinco anos.

“O investimento será realizado em todas as atividades do grupo, desde a produção de milho, à produção de galinhas, ovos, pintos, frangos, frangos do campo, perus, rações, valorização de subprodutos , produção de energia, centros de distribuição, viaturas e no processo de internacionalização”, assegura Avelino Gaspar.

Este investimento da Lusiaves irá permitir o reforço da atividade em todas as áreas ao longo dos próximos cinco anos.
“O plano de investimentos (…) apresentado destina-se a contribuir para o reforço da liderança do grupo neste sector, sendo nossa convicção que daqui a cinco anos teremos dado passos muito importantes para tornar o grupo muito mais eficiente e sustentável, mas sem esquecer a sua responsabilidade social” defende o presidente da Lusiaves.
Está também previsto o lançamento de produtos “que vão ao encontro das necessidades dos consumidores, à base de aves, fáceis de preparar e cozinhar de qualidade e valor acrescido”.

Avelino Gaspar sublinha que o Grupo Lusiaves “aposta na verticalização do negócio, o que significa que assegura todo o processo de produção, desde o ovo até ao frango”.
“O ‘core business’ do grupo irá continuar a concentrar-se na produção de aves, apesar de também se dedicar à comercialização de produtos transformados oriundos da proteína animal, desde a carne ao peixe”, observa o presidente da Lusiaves.

Ler mais
Recomendadas

ANACOM celebra 30º aniversário com mudança de imagem do site

A ANACOM vai também levar a cabo outras iniciativas, designadamente, a organização de um concurso de fotografia de âmbito nacional e a abertura ao público do acervo documental da ANACOM.

Venda da Cimpor: como se desfez o ‘império’ cimenteiro em Portugal

A Cimpor chegou a operar em quatro continentes e em 12 países. A empresa extingue-se, mas permanece a marca. E fica a promessa dos turcos em “fazer da Cimpor novamente uma grande empresa”.

Matos Fernandes: “Grande aposta na energia elétrica em Portugal é no solar”

Na conferência foi referido que em 2030 a meta de contribuição da totalidade das fontes de energia renováveis é de 37% na Europa, enquanto para Portugal o objetivo é alcançar 47%.
Comentários