Maioria dos bancos europeus são estatais e pouco transparentes

O responsável pela avaliação ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que arrasou a supervisão do Banco de Portugal ao setor da banca, Nicolas Verón estima que mais de 60% sofrem interferências políticas e não mais de 35% dos bancos da zona euro devem ser vistos como instituições transparentes.

Alessia Pierdomenico/Reuters

Dos quase cem bancos europeus que o Banco Central Europeu (BCE) supervisiona, mais de 40% são dominado por participações dos diferentes Estados, que utilizam este mecanismo como forma de controlar a banca. Esta constatação resulta de uma investigação feita por Nicolas Verón, responsável pela avaliação ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que arrasou a supervisão do Banco de Portugal ao setor da banca, que indica ainda que o controlo do Governo faz com que a transparência pública de muitos bancos seja reduzida.

Segundo avança o jornal ‘Diário de Notícias’, os bancos cotados, com acionistas diversificados, são a exceção entre os bancos europeus considerados “instituições significativas” do euro. Face a isso, Nicolas Verón estima que mais de 60% sofrem interferências políticas e não mais de 35% dos bancos da zona euro devem ser vistos como instituições transparentes.

“A maioria destes bancos são detidos por governos ou cooperativas, ou influenciados por um acionista ou investidores com grandes participações ou de qualquer forma propensos a sofrer influências políticas diretas”, explica Nicolas Verón, acrescentando que “a transparência pública de muitos bancos é reduzida e estes tendem a correr riscos desnecessários à conta de interferências políticas”.

A Alemanha é o país onde se contabilizam mais bancos controlados pelo setor público, o que significa que 45% dos ativos da banca alemã são do Estado: pouco mais de dois biliões, dos 4,4 biliões detidos pelo setor na Alemanha. Em Portugal, contam-se as posições públicas na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e no Novo Banco, resgatado por fundos estatais.

O investigador sénior do think tank europeu Bruegel calcula que “pelo menos 64% de todas as instituições significativas da zona euro são influenciadas por interesses políticos, representando 13,5 biliões de ativos ou 61% do total”. Isto “pode levar os bancos a desviarem-se dos seus fins comerciais privilegiando a concessão de créditos a setores ou empresários específicos ou ao próprio governo” e “perpetua o ciclo vicioso entre banca e dívida pública, fator-chave da crise da zona euro”.

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