“Maioria dos contabilistas não está preparada para o digital”

Ordem dos Contabilistas Certificados quer liderar o caminho da digitalização do mercado e promover a formação, que a bastonária considera essencial, para que “não fique ninguém para trás”.

O futuro da contabilidade é digital e nenhum dos agentes do sector tem qualquer dúvida, da mesma forma que estão conscientes que o processo já foi desencadeado e está em andamento. A palavra de ordem – tanto dos representantes dos contabilistas certificados como do Governo – é que “não se pode deixar ninguém para trás”, ou seja, é preciso impedir a divisão do mercado ou a cristalização de uma divisão geracional. Especialmente quando a maioria dos contabilistas não está preparado para a era digital, como refere a bastonário da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC). Em declarações ao Jornal Económico, Paula Franco diz que a estrutura que lidera tem um papel a desempenhar neste desenvolvimento do sector, através da liderança do processo e da formação dos associados.
“Os avanços tecnológicos são uma realidade em muitos países, mas nós em Portugal ainda não os explorámos convenientemente, nomeadamente na área da contabilidade”, diz, acrescentando que, em Portugal, “ainda há muito poucos sistemas informáticos a ajudar o contabilista a rendibilizar o seu tempo e a diminuir os tempos de trabalho que têm a ver com o tratamento documental, que é para deixar tempo para descansar, para ter as suas actividades de lazer, e para fazer um melhor trabalho”.

 

OCC como líder do desenvolvimento

Paula Franco refere que a Ordem tem, em primeiro lugar, um papel no enquadramento das soluções que o mercado pode apresentar, dirigindo-o para que sejam apresentadas soluções que resolvam os problemas concretos da classe. A OCC tem um software que disponibiliza aos seus associados, que constitui uma ferramenta para o desenvolvimento da atividade, mas pretende ir mais além. “Queremos que esta ferramenta seja pioneira e que seja, no fundo, a orientação para outros softwares que existam, no sentido de responder às necessidades dos contabilistas”. Ou seja, a OCC quer investir para encontra soluções que respondam ao que “os contabilistas precisam, para que depois todas as software houses sigam este projecto”. “Portanto, seguir um bocadinho como pioneiros destes projectos, ficar ao leme dos projectos, dirigi-los, controlá-los, para que todos os softwares que existam estejam à medida das necessidades dos contabilistas, neste sentido de evolução”, refere.

 

Formação é fundamental

A outra face da moeda da evolução tecnológica é a formação. “A formação é essencial”, diz Paula Franco. “Os contabilistas têm uma profissão que está de braço dado com os impostos e com os códigos fiscais”, logo “uma situação que é sempre bastante complexa, que exige muito estudo, que exige muito acompanhamento e conhecimento e, por isso, a formação é essencial”. A formação é essencial, também, para responder ao desafio digital. “Diria que a maior parte dos colegas, dos contabilistas, não está preparada, neste momento, para assumir esta era digital. E por isso é que é muito importante a Ordem ser pioneira e levar este projecto como responsabilidade sua, para, em conjunto com a formação, não deixar nenhum colega para trás e haver este acompanhamento desta nova era digital, com sucesso e com consequências positivas para a profissão”, afirma Paula Franco.

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