Mais de mil pessoas protestam contra prospeção de petróleo em Aljezur e lembram derrames na Galiza e no Golfo do México

Mais de mil pessoas estão a manifestar-se hoje no centro de Lisboa contra a prospeção de petróleo perto de Aljezur, Algarve, alertando para os perigos de acidentes como os ocorridos na Galiza e no Golfo do México.

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Mais de mil pessoas estão a manifestar-se hoje no centro de Lisboa contra a prospeção de petróleo perto de Aljezur, alertando para os perigos de acidentes como os ocorridos na Galiza e no Golfo do México.

Vasco Reis, de 80 anos, ex-veterinário da Câmara Municipal de Aljezur, decidiu deslocar-se até Lisboa para participar na manifestação trazendo um cartaz com várias fotos da organização ambiental Greenpeace retratando uma praia na Galiza, em Espanha, coberta de petróleo resultante do derrame do navio Prestige, em 2002, ou labaredas no meio do mar, resultado da plataforma que ardeu no Golfo do México, nos Estados Unidos, durante prospeção de petróleo, em 2010.

“Neste momento, está em causa a prospeção, mas esse ato já tem impactos muito grandes”, disse à Lusa Vasco Reis, acrescentando que a prospeção de petróleo é uma atividade com elevados riscos ambientais no mar e para as espécies marítimas.

O acidente no Golfo do México há oito anos devastou a região, sendo que a pesca e o turismo ainda não recuperaram completamente.

A alentejana Rita Cancela também fez questão de estar presente na manifestação de hoje em Lisboa, trazendo consigo uma instalação com animais como peixes e flamingos.

À Lusa lembrou a população de flamingos na zona de Sines e de Santo André que também poderá ser afetada, caso avance a autorização de prospeção de um furo a 46 quilómetros de Aljezur, Algarve.

“Sou uma amante do mar e do Alentejo, para mim têm sido os meus terapeutas ao longo da minha vida e por isso estou aqui para os proteger”, afirmou, admitindo que o avanço do projeto do consórcio internacional ENI/Galp poderá ter consequências diretas na sua vida, já que o seu namorado é pescador.

Pelas 16:00, uma hora depois do encontro, os manifestantes abandonaram a Praça Luís de Camões, onde se concentraram, e começaram um desfile em direção à Assembleia da República, empunhando cartazes onde se pode ler frases como “estado de emergência climática”, “fora com o furo”, “nem aqui nem em lugar nenhum” ou “nem o papa quer petróleo em Portugal”.

O protesto de hoje é organizado por uma plataforma que congrega 32 das principais organizações portuguesas de ambiente e de defesa do património, nacionais e locais, movimentos cívicos, autarcas e partidos políticos.

“Estamos aqui a protestar contra uma política económica que está a ser aplicada em detrimento do planeta e de um bem comum, que são os ecossistemas, sublinhou André Silva, do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), partido político que hoje volta a participar nestes protestos com dezenas de militantes vestidos com macacões brancos semelhantes aos usados nas operações de descontaminação nas praias.

Em declarações à Lusa, André Silva recordou o discurso de primeiro-ministro em Marraquexe, na cimeira do Clima, classificando como “progressista e promissor”, para logo depois criticar “as ações no terreno que têm sido em sentido contrário”.

O deputado reconheceu que tanto o Governo como a indústria têm cumprido a lei, mas afirmou “esta lei tem mais de 20 anos e que na altura não havia os dados científicos que existem hoje que confirmam os impactos das alterações climáticas”.

O protesto de hoje visa a alteração da decisão de prolongar até ao final de 2018 o contrato de prospeção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo do consórcio internacional ENI/Galp em três concessões no oceano Atlântico, que incluem a realização de um furo de prospeção, em águas profundas, a cerca de 46 quilómetros de Aljezur, no Algarve.

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