[weglot_switcher]

Mais de um terço dos portugueses disposto a emigrar por melhores condições profissionais

Estudo da BCG revela que 73% dos jovens inquiridos entre os 18 e 24 anos pondera emigrar. Número cresceu nove pontos percentuais no período de um ano. “Não estamos a conseguir sequer abrandar a tendência de emigração de uma parte substancial das nossas gerações mais novas”, afirma Eduardo Bicacro, managing director & partner da consultora.
10 Novembro 2025, 19h46

Mais de um terço dos portugueses (34%) está disposto a emigrar, mais dois pontos percentuais do que no ano passado, revela o estudo Consumer Sentiment Survey 2025, realizado Boston Consulting Group (BCG).

 A procura de melhores perspetivas profissionais (37%) e o descontentamento com a realidade política, fiscal e social em Portugal são os principais motivos apontados pelos inquiridos para querer deixar o país.

 O estudo sugere que a opção de emigrar está diretamente relacionada com a idade e o nível de formação, em linha do que já tinha sido verificado em anos anteriores. Com efeito, a percentagem de inquiridos que considera emigrar diminui à medida que a idade avança, sendo mais alta nos jovens entre os 18 e 24 anos, onde 73% está disposto a dar esse passo. O número disparou  9% face ao ano passado.

 Também se verifica uma maior propensão à emigração por parte dos indivíduos com ensino superior (35%) face àqueles que não a têm (29%).

 “Este estudo destaca que não estamos a conseguir sequer abrandar a tendência de emigração de uma parte substancial das nossas gerações mais novas, e em particular as pessoas com maior nível de qualificação. Isto está diretamente relacionado com a gradual perda de competitividade dos salários em Portugal, que nos expõem particularmente neste tipo de talento que encontra mais facilmente soluções lá fora”, explica Eduardo Bicacro, managing director & partner da BCG.

 Segundo este responsável, é importante destacar que nem tudo se resume à remuneração. “Existem outros atributos que os profissionais valorizam e que influenciam a sua preferência por outros mercados: a autonomia que lhes é dada, o respeito pelo equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal e a flexibilidade horária são aspetos em que estamos ainda atrás de alguns mercados na Europa e noutros continentes, que continuam a atrair o nosso melhor talento”, salienta.

 Entre os atributos mais valorizados pelos portugueses, excluindo a remuneração, destacam-se a autonomia e responsabilidade (26%), o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (25%), ambas opções com um crescimento de 2 pp. face a 2024, e a flexibilidade de horário (23%). O ambiente de trabalho saudável e colaborativo (22%) e as amizades ou relacionamentos interpessoais (18%) foram outros dois atributos que os inquiridos afirmaram valorizar mais no trabalho, em contraposição com o propósito e significado (13%), flexibilidade de local de trabalho (10%) e benefícios adicionais (5%) tais como combustível, carro ou ginásio.

 Em relação a modelos de trabalho, em Portugal, o 100% presencial continua a ser o mais utilizado (72%), de acordo com os dados revelados pelo estudo, mantendo a tendência estável dos últimos anos. Contudo, mais de 60% dos inquiridos que afirma estar nesta situação de trabalho preferia estar mais remoto, parcial ou totalmente. O trabalho totalmente remoto, que é atualmente uma realidade vivida por apenas 10% dos portugueses, é o que um em cada quatro portugueses indica preferir (-3 pp. em relação ao ano passado), em especial os profissionais até aos 45 anos.

 Trabalhar num ambiente de trabalho diverso é algo importante ou muito importante para a maioria dos portugueses (80%), sendo que 17% o consideram essencial. Em oposição, apenas 6% dos inquiridos não dá importância a este aspeto organizacional, confirmando que os portugueses valorizam locais de trabalho que promovam equipas diversas e inclusivas.

 O estudo Consumer Sentiment Survey tem como base um inquérito a 1.000 portugueses em todo o território de Portugal continental, conduzido em agosto de 2025, com base em 44 perguntas relacionadas com o sentimento dos portugueses para com os seus hábitos de consumo este ano.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.