Mais resistente e com sintomas mais tardios. Novos casos na China revelam possível estirpe de Covid-19

Os pacientes encontrados nas províncias chinesas de Jilin e Heilongjiang (onde a nova estirpe de Covid-19 se está a manifestar) parecem ser portadores do vírus por um período de tempo mais longo e demoram mais para testar negativo

As descobertas sugerem que a incerteza sobre como esta nova estripe do vírus se manifesta poderá dificultar os esforços dos governos para conter a sua disseminação e atrasar ainda mais a reabertura das economias. A China, que tem um dos sistemas de deteção e testes de vírus mais abrangentes do mundo, revela que está a ter dificuldades para conter a nova onda de infeções, segundo a “Bloomberg”.

Os pacientes encontrados nas províncias de Jilin e Heilongjiang (onde a nova estirpe de Covid-19 se está a manifestar) parecem ser portadores do vírus por um período de tempo mais longo e demoram mais para testar negativo, revelou à televisão estatal Qiu Haibo – um dos principais médicos de cuidados intensivos da China.

A nova estirpe do vírus faz com que os pacientes demorem entre uma a duas semanas a desenvolver sintomas após a infeção, e esse atraso dificulta o trabalho às autoridades no que toca à identificação de quem está infetado.

Qiu Haibo explicou que “os pacientes que tiveram um período maior sem apresentarem sintomas, o que facilitou a transmissão do vírus dentro dos agregados familiares”. Durante as últimas duas semanas, foram registados cerca de 46 casos nas cidades de Shulan, Jilin e Shengyang, provocando novas medidas de bloqueio numa região onde vivem 100 milhões de pessoas.

Ainda assim, apenas 10% dos novos casos foram considerados críticos já que 26 pessoas infetadas com a nova estirpe estão hospitalizadas.

Investigadores de todo o mundo estão a tentar perceber se o vírus está a sofrer mutações significativas para se tornar mais contagiante à medida que se dissemina pela população. Mas, de acordo com investigações anteriores, essa possibilidade foi considerada um exagero e está a ser alvo de críticas.

Keiji Fukuda, diretor e professor clínico da Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong explicou que “em teoria, algumas mudanças na estrutura genética podem levar a mudanças na estrutura do vírus ou na maneira como o vírus se comporta. No entanto, é provável que as observações feitas na China não tenham uma correlação simples com uma mutação e sejam necessárias evidências mais firmes antes de concluir que o vírus está a sofrer mutações”.

Nas províncias onde foi encontrada a nova estirpe do vírus já foi ordenado o regresso das medidas de bloqueio, interrupção dos serviços de transportes públicos, encerramento das escolas e o fecho de residências.

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