Mais um dia decisivo para o governo italiano

Os parlamentares decidem em que dia vão votar a moção de censura contra Guiseppe Conte, A grande incógnita reside no Partido Democrata, que está dividido ao meio face aos três cenários em cima da mesa.

Giampiero Sposito/Reuters

Esta terça-feira será o dia decisivo para o estabelecimento do calendário para os grupos parlamentares debaterem a moção de censura apresentada pelo presidente da Liga e vice-primeiro-ministro Matteo Salvini contra o primeiro-ministro Giuseppe Conte – mas tudo indica que não será cumprida a vontade do proponente, que queria tudo decidido até à próxima quinta-feira.

Entretanto, os partidos políticos têm feito autênticas maratonas para debaterem internamente quer o comportamento que devem adotar face à moção de censura, quer as consequências dos cenários que estão em cima da mesa: um governo de iniciativa presidencial, uma nova coligação liderada pelo Movimento 5 Estrelas (que ganhou as eleições de março do ano passado) mas já não com a Liga, ou a marcação de eleições antecipadas.

Salvini quer ‘cavalgar’ o bom momento político, com as sondagens a conferirem-se uma folgada vitória, com 36% das intenções de voto. Mas Giuseppe Conte, que há muito deixou de se entender com este seu ‘vice’ avisou Salvini que não cabe ao ministro do Interior (cago que também ocupa) estabelecer os tempos de decisão ou impor a sua vontade aos parlamentares.

O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, também lembrou que os únicos que podem decidir quando as duas Câmaras se encontrarão para debater a moção são os presidentes de ambas e que apenas o chefe de Estado, Sergio Mattarella, pode dissolver o Parlamento e convocar eleições.

Mattarella está por seu turno pressionado para escolher, entre os três cenários, o do governo técnico ou ‘de objetivos’, como é conhecido em Itália, uma vez que o tempo está a contar: o Orçamento para 2020 deve estar pronto para ser entregue em Bruxelas e votado pelos parlamentares antes do final do ano.

Segundo os analistas, é na esquerda italiana que o tema da moção de censura está mais confuso, o que tem fragmentado a sua resposta. O Partido Democrata está dividido em dois: uma parte quer apoiar o primeiro-ministro e assim promover a formação de um executivo provisório com uma nova maioria e outra parte que eleições imediatas.

O ex-primeiro-ministro e atual senador Matteo Renzi, que ainda controla uma parte importante do PD, defende a formação de um governo provisório que, entre outras coisas, possa aprovar o Orçamento. Mas o secretário da formação, Nicola Zingaretti (que é também presidente da Lazio), rejeita qualquer aliança com o M5S: “seria um presente para a direito perigoso, que todos nós queremos parar”, disse, citado pela imprensa transalpina – ao mesmo tempo que indicou que o PD irá votar contra o primeiro-ministro.

Mas, segundo os analistas, Renzi pode forçar uma mudança na linha do partido ou até mesmo causar uma divisão na formação, embora ele não ocupe nenhuma posição de responsabilidade – mas mantém um grande poder de influência. A sua posição causou espanto no interior do PD, uma vez que o ex-primeiro-ministro era um dos principais adversários de uma possível aliança com os M5S após as eleições de 2018.

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