Mais valiosa startup de inteligência artificial mundial é chinesa

A SenseTime faz software de vigilância com tecnologia IA para as autoridades locais, e acaba de receber uma nova tranche de financiamento no valor de mais de 485 milhões de euros.

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A inteligência artificial está a vulgarizar-se, e já é usada nas mais variadas tarefas, mas uma das mais bem-sucedidas é também uma das mais assustadoras: a vigilância automatizada.

Neste caso em particular falamos de uma startup chinesa, a SenseTime, que faz software de vigilância com tecnologia IA para as autoridades locais, e que acaba de receber uma nova tranche de financiamento no valor de mais de 485 milhões de euros.

O financiamento, liderado pelo gigante Alibaba, supostamente dá à SenseTime uma avaliação total de mais de 36,5 mil milhões de euros, tornando-a a mais valiosa startup de Inteligência Artificial do mundo, segundo a empresa de análises CB Insights.

Esta notícia é significativa por vários motivos. Primeiro, mostra como a China continua a investir dinheiro em inteligência artificial, tanto através de financiamento governamental quanto por investimento privado. Muitos estão a observar a concorrência entre a China e os EUA para desenvolver Inteligência Artificial de ponta com grande interesse e ver o investimento como uma importante medida de progresso. A China ultrapassou os EUA neste campo, embora a maioria dos especialistas prefira assumir uma posição cautelosa, avisando tratar-se apenas de uma métrica de sucesso.

Em segundo lugar, o investimento mostra que a análise de imagens é uma das aplicações comerciais mais lucrativas para a inteligência artificial. O SenseTime tornou-se lucrativo em 2017 e afirma que possui mais de 400 clientes e parceiros.

A startup vende os seus serviços para melhorar as aplicações de câmaras de fabricantes de smartphones, como OPPO e Vivo; para oferecer efeitos de “embelezamento” e filtros em redes sociais chinesas como o Weibo; e para fornecer autenticação de identidade para finanças domésticas e aplicações como a Huanbei e Rong360.

Mais notavelmente, o SenseTime também equipa a polícia chinesa com reconhecimento facial e serviços de rastreamento. Por exemplo, a empresa diz que o software que fornece para a agência de segurança de Guangzhou (uma das três maiores cidades da China com uma população metropolitana de cerca de 25 milhões) é usado para comparar imagens de vigilância de cenas de crime com fotos de um banco de dados criminal. Até ao momento já foram identificados mais de 2.000 suspeitos e resolvidos “quase 100 casos”.

Justin Niu, sócio da IDG, um dos primeiros investidores da SenseTime, disse ao “The Financial Times” que “o SenseTime e os seus concorrentes podem crescer tão rapidamente em comparação com outras partes do mundo, porque a vigilância por vídeo é um grande negócio na China. Há um enorme orçamento para que possam gerir a sociedade”.

De acordo com a Bloomberg, a SenseTime está atualmente a desenvolver um software chamado Viper que “analisará dados de milhares de feeds de câmaras ao vivo” e será usado pela polícia para “rastrear tudo, desde o jogo ilegal, a acidentes, e até suspeitos em listas negras”.

Os defensores da privacidade e da liberdade de expressão dizem que a China já está a usar tecnologia semelhante para rastrear e perseguir opositores políticos, e alertam que a vigilância aumentada pela inteligência artificial pode significar a morte da privacidade. O co-fundador da SenseTime, Xu Li, disse à Bloomberg que a tecnologia da empresa “não afetará a privacidade porque apenas pessoas autorizadas podem aceder a ela”.

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